Ministério da Saúde deu critérios, mas decisão de diminuir isolamento é dos estados, diz Mandetta

André de Souza, Gustavo Maia, Leandro Prazeres e Renata Mariz
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta 06/04/2020

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que as instruções da pasta para, mediante algumas condições, diminuir as medidas de distanciamento social nos estados são apenas orientações. Segundo ele, trata-se de "princípios", "parâmetros", algo que ainda não havia. A decisão, afirmou, é dos governadores.

— O Ministério da Saúde nunca é o quem adota o grau de rigidez. A gente olha no sistema. Mas, a pedido deles, eles pediram: nos deem alguns critérios. E esses critérios são importantes para a população saber — disse Mandetta.

Depois, acrescentou:

— Não vai ser o Ministério que vai falar: fecha o bar, fecha o teatro, para ônibus, aumenta isso, não vai ao metrô. Eu posso dar a eles os "guidelines", eu posso dar critérios. É nesse sentido que a gente deu.

Em boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde recomendou que municípios, o Distrito Federal e estados que implementaram medidas de distanciamento social ampliado migrem para uma estratégia de distanciamento social seletivo, no qual apenas alguns grupos mais susceptíveis à doença fiquem de fato isolados.

"A partir de 13 de abril, os municípios, Distrito Federal e Estados que implementaram medidas de Distanciamento Social Ampliado (DSA), onde o número de casos confirmados não tenha impactado em mais de 50% da capacidade instalada existente antes da pandemia, devem iniciar a transição para Distanciamento Social Seletivo (DSS)", diz um trecho do boletim.

Por outro lado, o mesmo boletim diz: "Avalia-se que as Unidades da Federação que implementaram medidas de distanciamento social ampliado devem manter essas medidas até que o suprimento de equipamentos (leitos, EPI, respiradores e testes laboratoriais) e equipes de saúde (médicos, enfermeiros, demais profissionais de saúde e outros) estejam disponíveis em quantitativo suficiente, de forma a promover, com segurança, a estratégia de distanciamento social seletivo."

O boletim define o distanciamento social ampliado assim: "Estratégia não limitada a grupos específicos, exigindo que todos os setores da sociedade permaneçam na residência durante a vigência da decretação da medida pelos gestores locais. Esta medida restringe ao máximo o contato entre pessoas."

Já o distanciamento social seletivo é definido dessa forma: "Estratégia onde apenas alguns grupos ficam isolados, sendo selecionados os grupos que apresentam mais riscos de desenvolver a doença ou aqueles que podem apresentar um quadro mais grave, como idosos e pessoas com doenças crônicas (diabetes, cardiopatias etc) ou condições de risco como obesidade e gestação de risco. Pessoas abaixo de 60 anos podem circular livremente, se estiverem assintomáticos."