Ministério da Saúde não chama autores para lançamento de guia de exercícios, e pesquisador vê retaliação

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.05.2021 - O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante seu depoimento para CPI da Covid. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.05.2021 - O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante seu depoimento para CPI da Covid. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (30) o "Guia de atividade física para a população brasileira", voltado a orientar a população na prática de atividades físicas.

No entanto, os responsáveis por sua elaboração não foram convidados pela pasta para a cerimônia de lançamento. O guia foi elaborado por um grupo de cerca de 70 pesquisadores coordenado por Pedro Hallal, professor de educação física e de epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas.

Segundo ele, o ministério já havia chamado os pesquisadores para a cerimônia em previsão anterior de lançamento, ainda na gestão de Eduardo Pazuello. O evento, porém, foi adiado.

Ele conta que, há um mês, o grupo também enviou uma carta ao ministério questionando a demora para marcar o evento. Há cerca de dez dias, o grupo recebeu um aviso de que haveria o lançamento e chegou a perguntar se haveria a definição do representante dos pesquisadores.

Sem resposta, Hallal diz que questionou o ministério, mas não teve retorno.

"E no fim da última semana recebemos um convite, eu e os pesquisadores, para acompanhar pelo YouTube a cerimônia. E imediatamente respondi: 'Olha, aguardamos o convite para fazer parte da cerimônia, e não acompanhar pelo YouTube'. Mas nunca me responderam o email", diz.

"O resultado é que ninguém foi convidado a participar. Se pegar experiências anteriores, me parece que é a primeira vez que lançam um guia sem a participação de nenhuma das pessoas que redigiu o documento."

A situação ocorreu dias após Hallal prestar depoimento na CPI da Covid, quando fez críticas à gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e afirmou que 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas caso o Brasil tivesse adotado medidas de controle da pandemia —como vacinação eficiente, isolamento social e estímulo ao uso de máscaras.

"Foi obviamente uma atitude persecutória em relação a mim, de retaliação, que acaba sendo uma perseguição contra 68 outros pesquisadores que não depuseram na CPI e ficaram trabalhando dois anos nesse projeto e tiveram seu trabalho desvalorizado", afirma.

No último ano, Hallal já havia questionado o ministério por suspender o financiamento de outro projeto, a pesquisa EpiCovid.

Em 2020, Hallal também foi alvo de investigação da CGU (Controladoria-Geral da União) por proferir “manifestação desrespeitosa e de desapreço direcionada ao presidente da República” em evento online da universidade sobre a Covid-19 e assinou um termo de ajustamento de conduta para encerrar o caso.

Ele foi proibido de fazer qualquer tipo de manifestação política dentro da universidade e foi determinado que ele participasse de um curso de ética no serviço público.

Segundo ele, após terem sido excluídos do evento desta terça, pesquisadores planejam fazer um novo lançamento por conta própria na quinta-feira, às 16h, em local a ser definido.

No evento, representantes do ministério chegaram a mencionar que o documento foi elaborado por 70 pesquisadores, mas os nomes não foram citados.

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