Ministério da Saúde nega compromisso de abrir 560 leitos federais para Covid-19 no Rio por falta de recursos

Luiz Ernesto Magalhães
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Em audiência pública conjunta das comissões de saúde da Alerj e da Câmara de Vereadores do Rio, na manhã desta sexta-feira, o superintendente do Ministério da Saúde no Rio, George da Silva Dilério, disse que por limitações orçamentárias não pode, neste momento, abrir 550 leitos federais no Rio para tratar o Covid-19. Segundo ele, existem hoje apenas 292 leitos federais à disposição. Ele descartou também a possibilidade de estadualizar ou transferir para a gestão privada parte dos leitos ainda fechados. Em 26 de março, o governador em exercício, Claudio Castro, afirmou que havia fechado uma parceria com o Ministério da Saúde para a reabertura desses leitos. Essas 560 vagas, segundo Castro, fariam parte de um pacote de um total de 940 — entre públicos e conveniados ao SUS — que seriam abertos nas duas semanas seguintes.

— Em um acordo com a Justiça Federal nos comprometemos a abrir 70 leitos - 30 de UTI e 40 de enfermaria. Abrimos uma quantidade bem superior (292). Nosso orçamento é suficiente para contratar 4.117 profissionais, sendo que já admitimos 3.738. Mas temos dificuldades de recrutar pessoal, assim como o Estado e o Município. A gente chama por dia de 40 a 50 profissionais para fazerem os exames admissionais, mas desses somente um ou dois ficam. Os demais não querem trabalhar no atendimento geral do Covid-19 — disse Divério, que acrescenta:

— Nós solicitamos mais recursos ao Ministério da Saúde para abrir vagas adicionais, mas há restrições orçamentárias. E há ainda a questão da dificuldade de recrutar pessoal — acrescentou o superintendente.

— Nós solicitamos mais recursos ao Ministério da Saúde para abrir vagas adicionais, mas há restrições orçamentárias. E há ainda a questão da dificuldade de recrutar pessoal — acrescentou o superintendente.

Sobre a estadualização ou privatização de leitos nas unidades federais que estão inativos, Dilério explicou que 'essa hipótese morreu na ideia':

— O que ocorreu foi um estudo técnico da Superintendência. Posteriormente ocorreu uma reunião conjunta com o governador e com o ministro da Saúde, e concluiu-se que não era questão de privatização ou estadualização da rede federal. Em momento algum prosperou — disse Dilério.

De concreto, o superintendente prometeu a abertura na semana que vem de mais 50 leitos para Covid-19, sendo 20 de UTI e 30 convencionais no Hospital da Lagoa, graças a doações de insumos da rede privada. O secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, que já dera entrevistas afirmando que não foi ele, mas o governador, que prometera abrir 940 leito adicionais, reiteirou sua posição na audiência pública. Chaves disse, inclusive, que é contra a ideia de estadualizar leitos federais:

— Poderia haver um outro tipo de negociação.Tivemos outros problemas. No passado foram muncipalizados hospitais federais e deu no que deu (problemas de pessoal e verbas) — disse Chaves.

O superintendente, curiosamente, estava na coletiva que Castro anunciou a abertura dos 560 leitos e não contestou. Nesta sexta, Castro preferiu não comentar a declaração.

Segundo levantamento do vereador Paulo Pinheiro (PSOL), com base em dados do Cadastro Nacional do Ministério da Saude, pelo menos 773 leitos de nove hospitais federais estão impedidos no Rio de Janeiro hoje. Essa quantidade de vagas seria suficiente para zerar a fila do Covid-19, que hoje tem 364 pessoas. Nessa conta estão leitos fechados por falta de pessoal ou porque necessitam de obras. Destes nove hospitais, seis têm 387 leitos que não podem abrir apenas por falta de recursos humanos. Esses dados foram informados em uma audiência de conciliação entre a Comissão de Saúde na Alerj e a União, na 23ª Vara da Justiça Federal.

Os dados informados na audiência, segundo a presidente da Comissão de Saúde da Alerj, delegada Martha Rocha (PDT) foram repassados pelos diretores das unidades. Eles revelaram que seis leitos estão ociosos no Hospital Federal de Bonsucesso; no Hospital Federal dos Servidores do Estado, 108; no Hospital Federal Cardoso Fontes, 59; no Hospital Federal de Ipanema, 48; no Hospital Federal da Lagoa, 95 ; no Instituto Nacional do Câncer, 22; no Instituto Nacional de Cardiologia, 14 e no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, 35. O representante do Hospital do Andaraí não compareceu.