Ministério da Saúde quer lançar novo plano para testar até 26,6 milhões por mês contra a Covid

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após fracassar em metas anteriores de ampliar a testagem contra Covid no país, o Ministério da Saúde pretende agora implementar um novo plano de testagem em massa com oferta de até 26,6 milhões de exames por mês.

A medida, que também prevê exames semanais a algumas categorias profissionais, consta de uma proposta recém-finalizada pela pasta, a qual deve ser apresentada na próxima semana a secretários estaduais e municipais de saúde.

Se aprovada, a previsão do ministério é ofertar entre 10,7 milhões a 26,6 milhões de exames por mês, número que deve variar conforme o cenário da epidemia, aponta. O plano prevê uso de testes de antígeno, considerados mais rápidos que o modelo de RT-PCR e com bom nível de precisão.

Atualmente, porém, a pasta só tem 3 milhões desses testes disponíveis no estoque, o que seria insuficiente frente ao volume previsto. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirma que há previsão de compra de novos lotes nos próximos dias.

Estimativas anteriores de ampliar a testagem com uso de outros testes, no entanto, não avançaram no país. No ano passado, por exemplo, a pasta chegou a anunciar que distribuiria 46 milhões de testes contra a Covid ao longo de todo o ano de 2020, mas a meta não foi cumprida.

Um resumo da nova proposta foi apresentado a jornalistas nesta sexta-feira (21). Segundo a pasta, o plano deve ser composto por três eixos. O primeiro prevê testes para pessoas com sintomas suspeitos de Covid em unidades de saúde.

Já o segundo prevê uma espécie de "busca ativa" a ser feita em empresas e em locais de grande circulação, como escolas, terminais rodoviários e aeroportos.

De acordo com o secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, a ideia é usar a busca ativa para aumentar testes a algumas categoriais profissionais, tidas como de risco mais alto de infecção.

Entrariam na lista profissionais de segurança pública (como policiais e bombeiros), enfermeiros, trabalhadores de creches e escolas, profissionais da construção civil, socorristas, motoristas de ônibus, vendedores e jornalistas, entre outros.

"Há uma lista de profissões onde vamos buscar de forma ativa testar essas pessoas para garantir ou tentar minimizar a transmissão do vírus", afirmou Cruz. "Isolando no começo, conseguiríamos evitar a transmissibilidade do vírus."

Os grupos seriam divididos em graus de risco de exposição e organizados de forma aleatória. A pasta não informou, porém, qual o total previsto deste público, nem como seria a seleção de quais seriam testados.

"A ideia é que a gente discuta como operacionalizar esse plano. Mas tem que ter uma aleatoriedade na escolha desses profissionais, senão não faria sentido avançarmos. Há toda uma metodologia que será proposta para que a gente consiga testar a sociedade como um todo", diz o secretário, que prevê testes a contactantes no caso de resultado positivo.

Segundo Cruz, o modelo também prevê intervalos para testagem. "O ideal é que essas profissões sejam testadas uma vez por semana, e em uma epidemia mais agressiva, a cada 72h", diz.

O plano prevê ainda um terceiro eixo, baseado em testes de soroprevalência, o qual verifica, por meio de pesquisas, o nível de anticorpos da população. O maior volume de testes, no entanto, deve ser destinado ao eixo de busca ativa.

Essa, porém, não é a primeira vez que o Ministério da Saúde anuncia a intenção de ampliar a testagem da população. Em 2020, a pasta chegou a divulgar que ofertaria até 46 milhões de testes naquele ano. Deste total, 24 milhões seriam de testes RT-PCR, considerados "padrão-ouro" para testagem. Até o momento, porém, só 19 milhões destes testes foram distribuídos no país.

O anúncio de um novo plano para testagem também ocorre em um momento em que a Saúde mantém em estoque testes que já começam a perder a validade.

Questionado, Queiroga nega que haja perda e diz que a previsão é que o montante seja substituído pelo fornecedor. Ele também tentou rebater críticas pelo atraso na testagem. "No ano passado, não tínhamos esses testes rápidos. Temos que olhar para a frente", diz.

A pasta diz ainda que novos testes também devem ser adquiridos para aumentar o volume de testes disponíveis --ainda não há, porém, previsão dos valores.