Ministério de Lula tem número inédito de mulheres, mas fica longe de paridade

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completou a formação do seu ministério com pouco menos de 1/3 dos cargos ocupados por mulheres. Com o anúncio realizado nesta quinta-feira, Lula confirmou que elas vão ocupar 11 das 37 pastas, o equivalente a 29% dos cargos.

Em comparação com os dois primeiros governos, o número de mulheres aumentou, mas ainda ficou aquém de uma paridade que reflita a sociedade brasileira. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), 51,1% da população brasileira é do sexo feminino.

Em 2002, no início do primeiro mandato, eram quatro mulheres na Esplanada: Benedita da Silva, Dilma Rousseff, Marina Silva e Emilia Fernandes. No início do segundo mandato, o número subiu pouco, para cinco: Dilma, Matilde Ribeiro, Nilcéa Freire, Marina Silva e Marta Suplicy.

Neste ano, serão 11: Simone Tebet, Marina Silva, Luciana Santos, Sônia Guajajara, Cida Gonçalves, Nísia Trindade, Margareth Menezes, Ana Moser, Anielle Franco e Daniela do Waguinho.

O número é maior também do que o registrado no governo de Dilma Rousseff, primeira mulher a chegar ao cargo, que nomeou oito mulheres como ministra ao assumir o mandato, em 2011, e seis após ser reeleita. Michel Temer, seu sucessor, tinha três. Jair Bolsonaro, por sua vez, quatro.

Durante a campanha, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser questionado sobre o compromisso de indicar um ministério com paridade de gênero, mas se esquivou. Na ocasião, quem o interpelou foi a então candidata do MDB à Presidência, Simone Tebet, anunciada hoje como ministra do Planejamento.

— Não sou de assumir compromisso, de me comprometer a fazer metade, indicar religioso, indicar mulher, indicar negra, indicar homem. Você vai indicar as pessoas que têm capacidade para assumir determinados cargos — respondeu Lula.

Ao anunciar os nomes que completaram o ministério, entretanto, Lula comemorou o número inédito de mulheres.

— Estou feliz porque nunca antes na história do Brasil teve tantas mulheres ministras, nunca antes. Nunca antes na história do Brasil tivemos uma indígena ministra — disse, em referência à Sonia Guajajara, que vai assumir o inédito Ministério dos Povos Originários.

O gabinete também contará com quatro ministros que já se declararam publicamente como pretos: Margareth Menezes, Anielle Franco, Marina Silva e Silvio Almeida. Há ainda dois que se identificam como indígenas: Wellington Dias e Sônia Guajajara. Rui Costa, Luciana Santos, Waldez Góes e Flávio Dino se declararam como pardos.

Lula também afirmou que vai nomear mulheres para presidir bancos públicos, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.