‘Ministério não tem vara de condão para resolver todos os problemas’, diz Queiroga sobre falta de vacina contra Covid

Raphaela Ramos
·3 minuto de leitura

Ao ser questionado sobre a falta de doses de imunizantes contra a Covid-19, que levou à interrupção da vacinação em duas capitais nesta sexta-feira, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou que a pasta “não tem vara de condão para resolver todos os problemas”. A declaração foi feita em uma coletiva de imprensa, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

— Trabalhamos todos os dias para trazer alternativas para a população brasileira. Estamos fazendo entregas (de vacinas) para a sociedade brasileira de maneira concreta, se não o Brasil não era o quinto país com mais doses aplicadas. Vamos continuar trabalhando juntos e buscando mais vacinas. O ministério não tem vara de condão para resolver todos os problemas — afirmou o ministro.

Questionado sobre atrasos na entrega de imunizantes pela Fiocruz previstas anteriormente no cronograma da pasta, Queiroga destacou que o Ministério fechou um acordo com o programa Covax para receber doses de imunizantes contra a Covid-19 e também há atrasos nas entregas dessas vacinas pelo consórcio global.

— Esse é um problema mundial. Não é só do Brasil. Se eventualmente há um problema com um município é porque essa logística precisa ser melhor coordenada. O Ministério da Saúde atua em parceria com as secretarias estaduais e municipais — afirmou o ministro, que também confirmou a meta de atingir 1 milhão de vacinados por dia, todos os dias.

Sobre a adoção de um lockdown para frear o avanço da Covid-19, Queiroga afirmou que “essa questão de fechamento maior depende da realidade de cada município”.

— De acordo com a situação, os secretários municipais de saúde e prefeitos podem lançar mão de uma medida mais extrema — disse o ministro.

Mais cedo nesta sexta-feira, o ministro visitou as instalações de produção da vacina de Oxford/Astrazeneca na Fiocruz.

A Fundação anunciou que prevê o início da produção de vacinas com Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) nacional a partir de maio ou junho. A expectativa é que seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e seja disponibilizada ao Plano Nacional de Imunizações (PNI) entre setembro e outubro.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, também afirmou que serão entregues 18,4 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, produzidas com IFA importado, em abril. A partir de maio, a Fiocruz prevê a entrega de 20 milhões de doses mensais.

A falta de vacina voltou a atrasar a campanha de imunização em algumas capitais dos estados brasileiros. Goiânia e Curitiba não estão aplicando a 1ª dose do imunizante contra Covid-19 nesta sexta-feira. Em outra três capitais (Maceió, Rio Branco e Teresina), a aplicação está suspensa para os idosos em geral, mas segue para outros grupos específicos como profissionais de saúde e segurança.

Além dessas cinco, outras três capitais estavam com a aplicação da 1ª dose suspensa para todos os públicos ou ao para os idosos, mas retomaram nesta sexta: Fortaleza, Brasília e Macapá.

Em todas as capitais, a aplicação da 2ª dose foi mantida.

A falta de imunizantes já havia levado à suspensão da aplicação da 1ª dose em fevereiro e em março no Brasil.