Ministério Público aponta Marcelo Crivella como 'vértice' e líder da suposta organização criminosa conhecida como 'QG da Propina'

Felipe Grinberg e Vera Araújo
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Pedro Teixeira / Agência O Globo

Na denúncia apresentada contra Marcelo Crivella, o Ministério Público aponta que o prefeito é o "vértice" da organização criminosa que ficou conhecida como 'QG da propina'. O atual prefeito do Rio de Janeiro foi preso, nesta terça-feira (22), por suspeita de envolvimento no esquema.

Segundo os promotores, Crivella "orquestrava sob sua liderança pessoal" o esquema que tinha como objetivo "aliciar empresários para participação nos mais variados esquemas de corrupção, sempre com olhos voltados para a arrecadação de vantagens indevidas mediante promessas de contrapartidas":

A participação de Crivella no suposto esquema era essencial, segundo o Ministério Público, pelo seu posto de prefeito. Isso porque seu gabinete seria capaz de executar e comandar os atos necessários para a organização criminosa conseguir atuar dentro da prefeitura do Rio.

"O vértice da organização criminosa é ocupado por Marcelo Crivella, que na qualidade de Prefeito do Rio de Janeiro, concentra em suas mãos as atribuições legais indispensáveis para a consecução do plano criminoso, meticulosamente elaborado pela organização criminosa.

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Em outras palavras, seu status funcional de alcaide lhe confere, e a mais ninguém, a capacidade de executar e determinar a execução dos atos de ofício necessários à materialização das escusas negociatas”, diz trecho da denúncia obtida pelo GLOBO.

QUEM SÃO OS OUTROS ALVOS DA OPERAÇÃO

Além de Crivella, também estão na mira do Ministério Público o empresário Rafael Alves, homem de confiança de Crivella; o ex-tesoureiro de Crivella Mauro Macedo; o ex-delegado Fernando Moraes; o ex-deputado Edurado Lopes; Cristiano Stocler e Adenor Gonçalves.

Confira quem é quem:

  • Rafael Alves

Rafael Alves é apontado como o chefe do esquema de lavagem de dinheiro. Filiado ao Republicanos (antigo PRB), mesmo partido do prefeito, ele foi pré-candidato à prefeitura de Angra em 2016 e doador da campanha de Crivella a governador em 2014. Figura que circula entre o universo do carnaval — já foi dirigente da Viradouro, Império Serrano e Salgueiro — e de casas noturnas.

O empresário estreitou os laços com o município, em 2016. Naquele ano, Alves colaborou na arrecadação de recursos durante a campanha de Marcelo Crivella à prefeitura e para a diminuição da resistência do mundo do samba ao prefeito. A influência na Riotur — do qual seu irmão Marcelo Alves é presidente — é presente mesmo sem um cargo no órgão, diretamente ligado ao carnaval na Avenida Marquês de Sapucaí e aos blocos de rua.

  • Mauro Macedo

Mauro Macedo é ex-tesoureiro de antigas campanhas de Marcelo Crivella. Ele esteve no centro de uma denúncia de que recebeu doações não declaradas de R$ 450 mil da Fetranspor, entre os anos de 2010 e 2012. Macedo tem fama de bom administrador herdada pelo sucesso como gestor de negócios de empresas ligadas à Igreja Universal, do primo Edir Macedo. E, na última campanha, ganhou um apelido inusitado quando Crivella disputava a prefeitura em 2016: “Mestre dos Magos".

Registros do sistema interno do Senado mostram que entre 2003 e 2011, Macedo ocupou vários cargos em Brasília, quando Crivella exerceu seu primeiro mandato no Senado. Neste período, com alguns intervalos, ocupou cargos de confiança no gabinete do atual prefeito e também na liderança do extinto Partido Liberal (PL), pelo qual Crivella se elegeu ao senado pela primeira vez. A última passagem de Macedo pelo gabinete de Crivella ocorreu entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011, quando exercia um cargo comissionado, cujo valor atual equivale a R$ 16,4 mil.

  • Eduardo Lopes

O ex-senador Eduardo Lopes também é filiado ao Republicanos, e foi suplente de Marcelo Crivella. Assumiu o cargo pela primeira vez em 2012, retornou por três meses em 2016 e depois se manteve no cargo entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018.

Lopes tentou a reeleição como senador do Rio no pleito de 2018, quando teve 3% dos votos nas urnas. Alvo da operação desta terça, ele foi procurado na casa dele, no Rio, mas a defesa informou que está morando em Belém, no Pará onde deve se apresentar à polícia. Ele já é considerado foragido.

  • Fernando Moraes

José Fernando Moraes Alves,conhecido como Fernando de Moraes, é delegado aposentado da Polícia Civil e ex-vereador pelo MDB. Em 2019, ocupou o cargo de conselheiro da Agetransp, nomeado pelo ex-governador Luiz Fernando Pezão.

Na época, a justiça pediu a suspensão da nomeação em sentença publicada no dia 14 de maio. Alegou que, apesar do notável saber jurídico, Moraes, "sem qualquer dúvida, não atende ao requisito da experiência profissional na área de transporte" — a Agetransp é responsável por fiscalizar o transporte público a nível estadual.