Ministério Público denuncia policiais pela morte de Kathlen Romeu

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público ofereceu denúncia contra dois policiais militares pelo homicídio da designer de interiores Kathlen Romeu, atingida no tórax por um tiro de fuzil no dia 8 de junho de 2021, quando visitava a avó no Complexo do Lins, zona norte do Rio. Kathlen tinha 24 anos e estava grávida de quatro meses.

Segundo a denúncia, os policiais Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano atingiram Kathlen ao atirarem contra pessoas que estariam vendendo drogas no local conhecido como Beco da 14.

Os tiros não atingiram os supostos traficantes, que fugiram. Um dos disparos acertou a jovem, que caminhava ao lado da avó.

O Ministério Público do Rio chama a atenção para o fato de os policiais terem disparado em direção a uma rua, a Araújo Leitão, que tem grande movimento de carros e pedestres.

Eles faziam patrulhamento de rotina no local e viram homens em uma situação que indicava o tráfico de drogas. Os suspeitos, de acordo com a promotoria, foram alvos dos disparos sem que percebessem a presença policial, "não havendo qualquer ação que legitimasse a referida agressão".

A reportagem não localizou a defesa dos acusados.

Em junho deste ano, quando a morte de Kathlen completou um ano, a família reclamou da lentidão em relação ao caso.

"Essa morosidade faz com que a minha filha seja assassinada todos os dias. Todo dia para mim é dia 8 de junho", disse a mãe, Jackeline Oliveira, 41. "Não perdi só quando enterrei minha filha. Eu perco todos os dias. Eu perco quando vou ao Ministério Público e não tenho uma resposta. Eu estou há 12 meses perdendo."

Na quarta-feira (13), a denúncia foi entregue pela 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada à 2ª Vara Criminal do Rio.

Kathlen trabalhava na loja da Farm, em Ipanema, era uma jovem animada e tinha o sonho de casar. O bebê que esperava se chamaria Zayo, a terra prometida na simbologia hebraica, ou Maya, nome que sugere a pureza da água ou o amor materno.

Ela nasceu e cresceu no Complexo do Lins, que havia deixado há apenas um mês e meio antes da morte pelo medo da violência, após a descoberta da gestação. Estava comprando um apartamento para viver ao lado do namorado, o tatuador Marcelo Ramos, e do filho.

"É um avanço, é só o começo, queremos esses assassinos na cadeia", disse Ramos sobre a denúncia.

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