Ministério Público de Goiás vai recorrer de decisão que libertou ginecologista acusado de ter abusado de cerca de 50 pacientes

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RIO — O Ministério Público de Goiás informou ao GLOBO, nesta terça-feira, que vai recorrer da decisão judicial que concedeu liberdade provisória ao ginecologista e obstetra Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, acusado de violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. Em nota, o órgão afirmou que a medida está “equivocada ao ignorar os relatos de mais de 50 vítimas” e que “a prisão (do acusado) é necessária para a garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal”.

O médico foi solto na segunda-feira, depois de passar cinco dias detido. Segundo a delegada responsável pelo caso, Isabella Joy, a revogação da prisão de Nicodemos ocorreu após o juiz avaliar que “as acusações contra ele não são graves”. A delegada informou ainda que a defesa do ginecologista alegou que ele tem residência fixa e não vai atrapalhar as investigações, além de não oferecer risco para as vítimas e para a sociedade.

Ao GLOBO, o advogado de Nicodemos, Carlos Eduardo Gonçalves Martins, informou que “as medidas cautelares são suficientes para o médico responder o processo em liberdade''. Fora da prisão, Nicodemos terá que fazer uso de tornozeleira eletrônica e não poderá exercer a profissão e nem sair de Anápolis.

Para não prejudicar as investigações, a delegada Isabella avalia que é muito importante que as vítimas se sintam protegidas e apareçam para depor, visto que os depoimentos são de extrema importância para incriminar o ginecologista. Até o momento, 53 mulheres denunciaram o médico por algum tipo de abuso sexual e outras estão agendadas para fazer a denúncia ainda nesta semana.

— Vamos continuar nosso trabalho sério e importante de investigação. Temos 30 dias para terminar o inquérito e pedimos sempre que, por mais que seja difícil, as vítimas apareçam na delegacia para que consigamos somar provas. Mas, infelizmente, a tendência é que as vítimas não apareçam por medo de represália — explica.

Nicodemos tem uma união estável e duas filhas, de quatro e dez anos. Ele possui registro profissional em vários estados do Brasil e atuava tanto na rede pública de saúde quanto na privada.

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