Ministério Público vai recorrer de absolvições no julgamento do homicídio do pastor Anderson do Carmo

O Ministério Público vai recorrer das absolvições de Marzy Teixeira, André Luiz de Oliveira e Rayane dos Santos no homicídio do pastor Anderson do Carmo em 2019. Após julgamento de sete dias, o Conselho de Sentença do Tribunal do Juri de Niterói decidiu condenar, na manhã deste domingo, apenas Flordelis dos Santos e a sua filha biológica Simone dos Santos Rodrigues no caso. A decisão, no entanto, deixou promotores insatisfeitos.

— Flordelis é manipuladora, vingativa e assassina. Vamos apresentar os recursos contra a absolvição dos demais réus no prazo processual — contou o promotor de Justiça Décio Viegas.

A promotora Mariah Paixão completou:

— Os jurados não fundamentam o motivo. Mas pelas perguntas que direcionaram a ela (Marzy), acredito que seja por relacionarem a uma certa dependência dela a Flordelis.

Flordeliz recebeu pena de 50 anos e 28 dias de prisão pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio (por tentativas de envenenar a vitima), uso de documento falso (pelo plano de uma carta fraudada) e associação criminosa armada. Simone recebeu pena de 31 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa armada.

O assistente de acusação Angelo Máximo se emocionou ao lembrar dos familiares biológicos de Anderson do Carmo, que morreram após o assassinato do pastor:

— A família está satisfeita com a condenação de Flordelis e Simone. A absolvição é um veredito do Tribunal do Juri que irei respeitar e não vou recorrer — afirmou.

O advogado Rodrigo Faucz, que defende Flordelis, Marzy, Rayane e André, também vai tentar mudar uma decisão já tomada. Em favor de Flordelis, ele vai entrar com recurso para anular o júri,, alegando que a ex-deputada já entrou condenada em seu julgamento, em razão da repercussão do caso.

— Tivemos, das nossas quatro clientes, três absolvidas e uma condenada, a Flordelis. Era uma condenação esperada, tendo em vista que a opinião pública era majoritariamente contrária a ela. Isso impacta nos jurados. Até porque são seres humanos, são pessoas que conviveram esse tempo todo com notícias, com acontecimentos ligados ao fato. É muito difícil não relacionar uma coisa à outra.

Faucz aponta duas irregularidades ocorridas em plenário. A primeira delas, a exibição de um documento pelo Ministério Público que não estava no processo. A segunda, pelo fato do assistente de acusação, advogado Angelo Máximo, ter feito questionamento ao silêncio dos acusados em sua sustentação, o que é vedado pelo Código de Processo Penal.

O juri é composto por sete moradores de Niterói, quatro homens e três mulheres, que não necessariamente têm formação jurídica.

No fim da manhã deste domingo, a defesa de Flordelis emitiu uma nota lamentando a condenação dela: "Infelizmente, apesar de não haver provas, Flordelis foi condenada pelo homicídio do marido. Entendo que a condenação foi indevida, eis que certamente se deu pela pressão da opinião pública formada desde o delito. Considerando que ocorreram diversidas nulidades absolutas no decorrer do julgamento, informo que recorrerei da sentença, buscando que ocorra, futuramente, um julgamento justo. Entretanto, estamos muito satisfeitos com a absolvição de todos os crimes em que nossos outros clientes foram julgados".