Ministério pede que estados pensem em soluções para que crianças não sejam cuidadas por avós

André de Souza e Renata Mariz
Avós não devem ser os responsáveis por cuidar dos netos durante a suspensão das aulas devido à pandemia de coronavírus.

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde pediu que os estados pensem em soluções para que os cuidados das crianças que tiveram as aulas suspensas não sejam feitos pelos avós. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, o risco de uma criança infectar um idoso, que é o grupo mais vulnerável ao novo coronavírus, é maior do que o risco de ela se contaminar na escola. É entre os idosos que há a maior taxa de letalidade da doença.

Gabbardo disse que, embora não recomende a paralisação das aulas, a pasta não é contra a medida implantada por estados e municípios.

— Não tem nenhuma recomendação do Ministério da Saúde em relação ao fechamento de escolas. As recomendações têm saído por decisões do governos estaduais e municipais. O ministério não é contra, mas não está recomendando — disse Gabbardo.

Depois, acrescentou:

— A recomendação que nós continuamos dando aos gestores é que, ao suspender as aulas, tenham um plano de contingência para que essas crianças possam ser atendidas, possam ser acompanhadas, possam ser cuidadas sem o envolvimento das pessoas idosas. Essa é a nossa grande preocupação. No nosso entendimento, o risco de uma criança na escola adquirir o coronavírus é muito, mas muito, muito, muito menor do que o transmitir para um idoso.

Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), atualmente as aulas estão suspensas em 23 estados. Nos outros quatros, já está prevista a suspensão em breve.