'Ministério do Silêncio': GSI é a única pasta da Esplanada que não terá cerimônia de posse

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) é o único ministério do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que não terá cerimônia de posse. A decisão foi do próprio ministro, o general da reserva Marco Edson Gonçalves Dias, o Gdias, que foi empossado ontem ao cargo.

Ele entra no lugar do general Augusto Heleno, cuja exoneração saiu no Diário Oficial deste domingo, dia 1º. Heleno era uma dos ministros mais polêmicos do governo anterior. Quando tomou posse, em 2 de janeiro de 2019, ele acusou a ex-presidente Dilma Rousseff de ter "derretido" a pasta.

— Ele [sistema de inteligência] foi derretido pela senhora Rousseff, que não acreditava em inteligência — disse ele, na ocasião. O GSI é responsável por coordenar as atividades de inteligência federal, prever ações com potencial de risco e cuidar da segurança do presidente.

Do círculo mais íntimo de Lula, o novo ministro da pasta é conhecido pela discrição e por evitar aparições públicas - diferente do seu agora antecessor. Chamado de "sombra" de Lula, ele chefiou a segurança da presidência nos dois primeiros mandatos do petista.

O general comandará um setor sensível do novo governo e sobre o qual paira uma grande desconfiança. Na época da transição, a equipe de Lula descartou os serviços oferecidos pelo GSI por receio de espionagem. Agentes e sistemas de internet e telefone fornecidos pelo órgão no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) foram dispensados.

Com exceção de Gdias e do delegado da PF Andrei Rodrigues, os integrantes do grupo de transição não tiveram os nomes revelados - a equipe foi a última a ser montada.

Sem a tradicional cerimônia de transmissão de cargo, o serviço secreto brasileiro, subordinado atualmente ao GSI, volta a fazer jus a alcunha que recebeu no passado de "Ministério do Silêncio".