Ministérios ligados à economia sobem de 9 para 17 e são dominados por partidos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá 17 ministérios ligados à área econômica, contra 9 no fim do governo de Jair Bolsonaro (PL). Praticamente todos serão comandados por membros de partidos, abrindo caminho para uma influência direta das siglas nas políticas públicas do país.

Além de PT, com 4 ministérios na área, as pastas ligadas ao universo econômico serão lideradas por integrantes de MDB (3), PSD (3), PDT (2), PSB (2) e União Brasil (2).

"No meu governo não há medo de escolher político, porque sou daqueles que acha que, fora da política, a gente não encontra solução para quase nada neste planeta", disse Lula nesta quinta-feira (29) ao anunciar o restante de seus ministros.

Só o Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes no governo Bolsonaro, será fatiado em quatro pastas: Fazenda, que ficará com Fernando Haddad (PT); Planejamento e Orçamento, com Simone Tebet (MDB); Gestão e Inovação em Serviços Públicos, com Esther Dweck; e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com o vice-presidente diplomado Geraldo Alckmin (PSB).

O novo formato gera críticas entre integrantes do atual serviço público federal sobre a eficiência dos trabalhos a partir do ano que vem. Há alertas, por exemplo, de que pode haver o lançamento de programas com efetividade contestada e que devem servir apenas de vitrine para os respectivos ministros -alguns deles, potenciais candidatos à Presidência em 2026.

A influência dos partidos já começou em meio às decisões do formato da Esplanada e dos respectivos nomes. Tebet precisou negociar a abrangência de sua pasta em meio a pedidos de Haddad para que o senador eleito Renan Filho (MDB-AL) ocupasse o Planejamento no lugar dela, e líderes do MDB tiveram que influenciar as tratativas.

Tebet buscou uma imagem de pacificação em torno do assunto após ser anunciada, dizendo que "sem dúvida nenhuma" trabalhará em parceria com o futuro ministro da Fazenda.

Ela foi chamada para uma foto no momento em que foi anunciada, ao lado de Lula, e convocou Haddad para também compor o retrato. "Já começamos tendo três identidades: somos professores universitários, ele tem parentes no meu estado e são amigos em comum, e [ele] me deu a terceira, somos de origem libanesa. Não tem como dar errado", afirmou.

Tebet aceitou o cargo no Planejamento depois de ser preterida em outras pastas. A senadora queria inicialmente o Ministério da Educação, que acabou ficando com o senador eleito Camilo Santana (PT-CE).

Depois indicou que gostaria de ficar com o Desenvolvimento Social, pasta que controla o Bolsa Família, mas Lula anunciou para o cargo o também senador eleito Wellington Dias (PT-PI).

O senador em fim de mandato Alexandre Silveira (PSD-MG) será o futuro ministro de Minas e Energia, tendo influência em questões-chave na agenda econômica nacional -como o papel da Petrobras e a política do país para combustíveis em meio à continuidade da Guerra da Ucrânia.

Silveira é secretário-geral do PSD e se empenhou nas eleições presidenciais para barrar a virada de Bolsonaro sobre Lula em Minas Gerais, onde a diferença foi de apenas 49,6 mil votos. Além disso, é aliado próximo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cuja recondução deve ser apoiada pelo futuro governo Lula.

O parlamentar foi relator no Senado da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Gastança, que amplia o teto de gastos em R$ 145 bilhões no próximo ano e autoriza R$ 23 bilhões em investimentos fora da regra fiscal.

Também nesta quinta, o nome do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, foi confirmado por Lula no Ministério da Previdência Social. Pouco antes do anúncio, após reunião no hotel onde o presidente eleito está hospedado em Brasília, o pedetista disse que aceitou o convite para compor o primeiro escalão do futuro governo.

O posto inicialmente não era atrativo para o partido, que buscava uma pasta com mais visibilidade. Lupi vinha conversando com o PT para tentar negociar um ministério que pudesse fortalecer a sigla para as eleições de 2024 e 2026.

Lupi foi ministro do Trabalho e Emprego no primeiro governo Lula e permaneceu no cargo também no governo de Dilma Rousseff (PT), deixando a pasta em dezembro de 2011.

Outro indicado por Lula foi o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) para o Ministério da Agricultura e Pecuária -ele foi um dos articuladores da campanha petista junto ao agronegócio. Além dele, o setor vai ter outras duas pastas: o Ministério do Desenvolvimento Agrário, com Paulo Teixeira (PT); e o Ministério da Pesca, com André de Paula (PSD).

Foram escolhidos também o senador Renan Filho (MDB-AL) para o Ministério dos Transportes, e Jader Barbalho Filho (MDB-PA) para o Ministério das Cidades -ambos indicados pelos dirigentes emedebistas. Com isso, o partido vai liderar duas pastas com atuação em obras e, portanto, com potencial tanto de visibilidade eleitoral para seus titulares como de negociações políticas com o Congresso por meio, por exemplo, de emendas.

Renan Filho defende mais investimentos públicos. "Com a PEC que foi recentemente aprovada, o país resgata a sua capacidade de investir e vamos retomar os investimentos. O diagnóstico da equipe de transição mostra a área ferroviária praticamente travada e a área rodoviária com 66% das estradas federais brasileiras consideradas ruins ou péssimas", disse.

O atual governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), teve o nome indicado para o Ministério da Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

Já o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) foi escolhido para o Ministério dos Portos e Aeroportos -fatia do atual Ministério da Infraestrutura. O indicado por Lula para comandar o Ministério do Trabalho, por sua vez, foi o deputado federal eleito Luiz Marinho (PT-SP).

Futuro ministro da Fazenda, Haddad havia sido anunciado quando o presidente diplomado deu largada na definição de nomes de seu primeiro escalão, no dia 9 de dezembro.