Ministério da Cidadania: secretária ligada a Bolsonaro recebe denúncia por coação

Ministério da Cidadania informou que irá apurar o caso (Getty Images)
Ministério da Cidadania informou que irá apurar o caso

(Getty Images)

  • Servidores do Ministério da Cidadania denunciam secretária por assédio moral;

  • Luciana Miranda disse que quem não votou em Bolsonaro pagará "pela Justiça divina";

  • Ela disse palavras em tom de ameaça e afirmou que irá infernizar todos os dias da próxima gestão.

Servidores do Ministério da Cidadania denunciaram a secretária nacional de Atenção à Primeira Infância, Luciana Siqueira Lira de Miranda, por assédio moral. Vinculada à pasta, a funcionária enviou uma mensagem criticando quem votou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O texto, obtido pelo g1, foi publicado no grupo institucional da secretaria após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas e dizia o seguinte:

“Quem votou no PT, olha aí? Já começaram bem! Que Deus tenha misericórdia dessa nação! E vcs [sic] queridos, orem, porque essa secretaria acabou! Quem votou no PT, obrigada por contribuir para que nosso trabalho desça pelo ralo! Espero que comam muita picanha!!!!! E quando forem roubados novamente façam o “L”!”

Esta não foi a única vez que Luciana trouxe o tema à tona. Na segunda-feira (31), ela convocou a equipe para uma reunião e disse palavras em tom de ameaça a quem não votou em Bolsonaro. Cerca de 30 pessoas estavam presentes e outras dez acompanhavam o encontro online.

Após os dois episódios, os servidores denunciaram Luciana ao Ministério Público Federal, à Ouvidoria do Ministério da Cidadania e à Controladoria-Geral da União. O documento aponta que:

"A secretária disse saber exatamente quem não votou no presidente, que essas pessoas pagarão pela Justiça divina, que Deus punirá a cada um que não souber ser fiel (...) A secretária reclamou da falta de lealdade de alguns da equipe, equiparou a traição de Judas e disse que quem vota em quem rouba não está com Deus. E disse a todos que vai infernizar todos os dias da próxima gestão e que o inferno não vai vencer o céu".

O Ministério da Cidadania informou que irá apurar o caso e que "a investigação contará com a participação da Corregedoria e da Comissão de Ética Pública do órgão".