"Ministério da Saúde montou um balcão de negócios enquanto brasileiros morriam", diz Randolfe

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Brazilian Senator Randolfe Rodrigues attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 9, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Randolfe Rodrigues afirmou que CPI não terá recesso, mesmo que o Senado tenha (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Randolfe Rodrigues afirmou que há elementos para acreditar que Ministério da Saúde se transformou em "balcão de negócios"

  • Segundo senador, a CPI irá atrás de outras provas para tornar mais sólidas as acusações feitas por Dominguetti

  • Mesmo que Senado decrete recesso, comissão deve continuar com os trabalhos

O vice-presidente da CPI da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), avaliou que, ao longo da pandemia, o Ministério da Saúde se transformou em um "grande balcão de negócios". O senador acredita que as investigações dos casos Covaxin e Davati devem ser aprofundadas, mas afirma que já é possível entender que a pasta se tornou um espaço para negociações. 

"O que nós temos que aprofundar as investigações é exatamente sobre os personagens que participam. Mas, os elementos que temos, cada vez mais apontam que isso não é uma coisa somente do baixíssimo escalão. O esquema de corrupção se institucionalizou no Ministério da Saúde", declarou Randolfe em entrevista à rádio CBN. 

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"Esquema de corrupção ocorreu no âmbito do Ministério da Saúde. Uma aliança de antigos negociantes que tinham paternidade de políticos com acesso no Congresso Nacional, com novos negociantes, que ascenderam a partir do governo Jair Bolsonaro. Então, o que nós temos elementos para crer é que no Ministério da Saúde de montou um enorme balcão de negócios, enquanto brasileiros morriam."

O vice-presidente da CPI ainda comentou sobre Élcio Franco, número 2 do Ministério durante a gestão de Eduardo Pazuello. "Se tem alguém que não precisamos de nenhuma dúvida de que vá ser indiciado ao final da CPI é esse senhor (Élcio Franco). Onde tem uma negociação, aparece o nome desse senhor." 

Sobre o depoimento de Luiz Paulo Dominguetti, policial militar de Minas Gerais que se apresentou como representante da Davati Medial Supply, Randolfe Rodrigues concordou que há fragilidades no depoimento, mas garantiu que a CPI irá atrás de informações complementares para dar mais sustentação à denúncia feita por ele, sobre um pedido de propina na venda de vacinas. 

"Os depoimentos, as testemunhas, tem essas fragilidades. Por isso, inquérito não se sustenta só em testemunha, mas também em quebra de sigilo bancário, telefônico, telemático, fiscal, se sustenta em cruzamento de dados, se sustenta em requisições de informações ao Coaf, se sustenta em cooperação internacional que nós iremos tentar buscar, (...) vamos tentar buscar outros meios de prova, outros fundamentos para alicerçar", disse o senador à CBN.

"O fato também é que no depoimento do sr. Dominguetti, ele retrata muitos detalhes sobre o dito jantar, então, a gente tem que fazer uma separação dos fatos. Separar o cavalo de Troia que ele tenta colocar no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito dos relatos que ele faz do jantar que participou e dos encontros que participou no âmbito do Ministério da Saúde com diferentes autoridades do Ministério da Saúde." 

Randolfe Rodrigues afirmou que a CPI da Covid não terá recesso, mesmo que o Senado decrete uma pausa. Segundo o senador, os trabalhos da comissão devem continuar, mesmo que não seja possível ouvir novas testemunhas no período. 

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