Ministério da Saúde só conseguiu comprar 17% dos medicamentos do kit intubação

·3 minuto de leitura
Brazilian Health Minister Marcelo Queiroga takes off his face mask during a press conference, after a meeting of the Covid-19 National Coordination Committee to Combat the Pandemic with Brazilian President Jair Bolsonaro at the Planalto Palace in Brasilia, on April 14, 2021. - In the midst of the biggest crisis caused by the uncontrolled pandemic of the new coronavirus, the Brazilian government is looking for solutions to reduce the number of people infected and killed by the COVID-19. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que medicamentos chegariam em até 10 dias, mas documento mostra dificuldades (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Ministério da Saúde só conseguiu comprar 17% do contingente planejado de medicamentos do kit intubação

  • Remédios são importantes para manter pacientes intubados sem sentirem dor

  • São Paulo alertou para possível colapso dos hospitais caso medicamentos não cheguem

Diversos estados brasileiros já informaram que estão com falta de medicamentos que fazem parte do kit intubação. E o Ministério da Saúde está com a reserva desses remédios praticamente zerada. Por isso, a pasta está tentando comprar doses dos medicamentos necessários – mas enfrenta dificuldades.

Uma nota técnica do Ministério da Saúde do último dia 12, revelada pelo Estadão, mostra que a pasta tentou comprar remédios suficientes para seis meses. No entanto, só conseguiu adquirir 17% do contingente planejado.

Leia também

Na última quarta-feira (14), a Secretaria de Saúde de São Paulo enviou um ofício ao Ministério alertando para a falta de medicamentos. Segundo Jean Gorinchteyn, titular da pasta em SP, alertou para o fato de que hospitais poderiam ficar sem os remédios necessários para manter pacientes intubados.

Os medicamentos são usados para que os pacientes com covid-19 não sintam dor durante o processo de intubação. Sem os remédios, eles podem tentar arrancar o tubo, mesmo de forma involuntária.

Também na quarta-feira, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que a pasta receberia mais lotes de medicamentos em até 10 dias. Segundo o Estadão, o governo federal está sem estoque de nove medicamentos que integram o kit intubação. Outros dez remédios estão no fim.

Compra por estados e municípios

TOPSHOT - Patients affected by the COVID-19 coronavirus remain at a field hospital set up at a sports gym, in Santo Andre, Sao Paulo state, Brazil, on March 26, 2021. - Brazil set a new daily Covid-19 death toll record of 3,650 on Friday, the health ministry said, as the pandemic spins out of control in Latin America's largest economy. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP) (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Hospital de campanha em Santo André, região do ABC Paulista; sem medicamentos, hospitais não conseguem atender pacientes, mesmo com leitos disponíveis (Foto: Miguel Schincariol/AFP via Getty Images)

Normalmente, estados, municípios e hospitais seriam responsáveis por comprar os remédios do kit intubação. Mas, o próprio Ministério da Saúde assumiu a responsabilidade de adquirir os medicamentos em caso de desabastecimento nacional.

Sem os remédios necessários, os hospitais ficam sem poder atender pacientes, mesmo com leitos de UTI disponíveis.

Desde março, o Ministério da Saúde começou a obrigar fábricas de medicamentos a destinar o excedente da produção para a pasta. Depois, seria obrigação do Ministério repassar os remédios para os estados, por meio do SUS.

Na última quarta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou a postura do Ministério da Saúde. “O Ministério da Saúde cometeu um erro gravíssimo ao confiscar os insumos que as empresas produzem. Isso foi realizado na gestão do ministro anterior, Eduardo Pazuello, mas ainda não foi suspenso”, disse.

“Nenhum governo estadual, municipal ou instituições privadas pode adquirir esses insumos porque as empresas receberam um confisco, um sequestro do Governo Federal. Gostaríamos de saber por que o Ministério da Saúde não faz a distribuição desse material aos Estados, que podem levar até a ponta, nos hospitais”, afirmou Doria durante coletiva de imprensa do governo estadual.

Jean Gorinchteyn alertou que o estado de São Paulo precisa receber os medicamentos até esta quinta-feira. Caso contrário, 643 pode sofrer com desabastecimento.