Ministério da Saúde tem 2 milhões de testes rápidos em estoque sem previsão de distribuição

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Anti coronavirus disease (COVID-19) IgG/IgM Rapid Tests are pictured in Quilombo Peropava, an afro-descendant community, first established by escaped slaves, in Registro, Sao Paulo state, Brazil July 29, 2020. Picture taken July 29, 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Não houve aquisição de testes rápidos pelo governo até agora; 10 milhões de exames foram doados por empresas para distribuição no país. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

por Taís Seibt

O Ministério da Saúde dispõe de aproximadamente 2 milhões de testes rápidos para Covid-19 em estoque e diz “não ser possível estabelecer um cronograma com a previsão de entregas”, conforme documentos obtidos pela agência Fiquem Sabendo via Lei de Acesso à Informação (LAI). Dos cerca de 10 milhões de testes rápidos recebidos pela pasta desde o início da pandemia, nenhum foi adquirido pelo governo. Todos foram doados por empresas.

Conforme resposta encaminhada pelo Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do MS por meio do e-SIC do governo federal, foram doados 10 milhões de testes sorológicos pelas empresas Vale do Rio Doce, Itaú, Bradesco e Santander. Desses, cerca de 8 milhões de testes rápidos foram distribuídos no país até o momento.

A maior parte dos testes rápidos foi para a região Sudeste, que recebeu 3,3 milhões de testes rápidos, seguida da região Nordeste, com pouco mais de 2 milhões de testes sorológicos para detecção de anticorpos para o novo coronavírus entregues pelo governo federal. “Cada caixa do produto conta com 20 testes, acompanhados de solução tampão e pipetas”, informou o MS.

De acordo com as informações do MS, a última remessa da doação de testes rápidos contou com 2 milhões de exames. Cada caixa do novo lote conta com 40 testes, acompanhados de solução diluente e pipetas.

“Ainda sem possibilidade de estabelecer programação de distribuição em função da disponibilização de parte deste estoque para execução de inquéritos sorológicos que estão sob gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) no âmbito da estratégia de testagem Diagnosticar Para Cuidar”, diz o órgão.

Testes são “satisfatórios”, segundo MS

Testar a população em massa é uma das principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o controle da pandemia do novo coronavírus. Os testes rápidos, como são chamados os exames sorológicos, indicam a presença de anticorpos para o vírus, com resultados em 20 minutos, embora haja controvérsia entre cientistas sobre a confiabilidade desse tipo de teste.

Na resposta via LAI, o governo atestou que “ambos os testes foram analisados pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), da Fiocruz, e obtiveram pareceres satisfatórios”.

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Conforme o documento, se aplicados da maneira e no prazo correto, os testes rápidos do lote já enviado a estados e municípios, da fabricante Guangzhou Wondfo Biotech, apresentam 86,43% de sensibilidade e 99,57% de especificidade; já o lote ainda em estoque, da Qingdao Hightop Biotech, apresenta 94,14% de sensibilidade e 93,91% de especificidade.

Sensibilidade e especificidade são termos técnicos usados para classificar a precisão do teste. Quanto maior esse percentual, menos chances de ocorrência dos chamados “falsos positivos”, quando pessoas sem os anticorpos apresentam resultado positivo, ou “falsos negativos” quando pessoas com anticorpos apresentam resultado negativo.

Exames laboratoriais em estoque

No final de junho, também a partir de dados obtidos via LAI, a agência Fiquem Sabendo já havia apurado que o governo de Jair Bolsonaro mantinha mais de 5 milhões de testes moleculares para o novo coronavírus em estoque.

À época, o MS informava ter distribuído apenas 3,2 milhões de testes do tipo RT-PCR, que é o exame laboratorial para diagnóstico da Covid-19, de um total de 8,8 milhões adquiridos. No dia 15 de agosto, o painel de testes informava distribuição de 5,4 milhões de testes RT-PCR, mas não apresenta dados de estoque.

Os testes rápidos não servem para diagnosticar em tempo real o vírus, mas são úteis para estudos epidemiológicos de transmissão na população. Já os testes moleculares (RT-PCR) detectam a presença do vírus no material genético do paciente mediante análise em laboratório. É esse o exame que confirma se o paciente está com Covid-19 no momento em que faz o teste.

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