Ministério Público abre investigação contra Douglas Garcia por ataque a jornalista

Deputado bolsonarista Douglas Garcia (PL-SP) agrediu jornalista Vera Magalhães durante debate em SP. (Foto: Divulgação/Alesp)
Deputado bolsonarista Douglas Garcia (PL-SP) agrediu jornalista Vera Magalhães durante debate em SP. (Foto: Divulgação/Alesp)

O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação criminal contra o deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos-SP), que atacou e hostilizou a jornalista Vera Magalhães ao fim do debate na TV Cultura entre os candidatos ao governo de São Paulo, na noite de terça-feira (13).

A decisão partiu do procurador-geral da Justiça de São Paulo, Mario Luiz Sarrubbo. O parlamentar tem direito a foro privilegiado por prerrogativa de função, e só pode ser processado criminalmente pelo procurador-geral.

Em agosto, o Ministério Público de São Paulo firmou acordo com entidades representativas do jornalismo para receber denúncias de ameaças contra jornalistas durante as eleições. O procedimento contra Douglas Garcia é a primeira ação tomada pelo MP-SP com base neste acordo.

Deputados pedem cassação de Douglas Garcia por ataque à Vera Magalhães

Ao menos seis representações foram feitas no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pedindo a cassação do deputado por quebra de decoro parlamentar.

Os parlamentares que pediram a cassação são: Emídio de Souza e Paulo Fiorilo, ambos do PT, Isa Penna (PCdoB), Monica Seixas (PSOL) e, segundo o portal g1, Patricia Bezerra (PSDB), Leci Brandão (PCdoB) e Márcia Lia (PT).

Colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura, Vera foi abordada por Douglas Garcia quando estava na área reservada para jornalistas.

Com o celular em punho, o parlamentar bolsonarista disse que Vera é “uma vergonha para o jornalismo” —mesma frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a jornalista no debate entre presidenciáveis. O deputado estadual também a intimidou.

Douglas Garcia foi retirado do local após o jornalista Leão Serva, que mediava o debate, defender Vera e retirar o celular da mão da parlamentar. Ao ser retirado do local, o deputado gritou "jornazistas".

Vera Magalhães usou sua conta no Twitter para falar das agressões e postar vídeos do momento. Por conta do ocorrido, ela teve de sair escoltada do local.

Alesp

A presidente do Conselho de Ética da Alesp, a deputada Maria Lucia Amary (PSDB), afirmou que vai autuar e notificar Douglas Garcia.

“Como presidente do Conselho de Ética da Assembleia de SP, recebi agora pouco uma representação contra o deputado Douglas Garcia pelas ofensas à jornalista Vera Magalhães, após o debate ao Governo do Estado. Estou imediatamente enviando para a autuação e notificação do deputado”, afirmou a deputada.

Maria Lucia Amary ainda repudiou a atitude do deputado e se solidarizou com a jornalista.

'Mal conheço esse idiota'

Tarcísio de Freitas, candidato bolsonarista ao governo de São Paulo, telefonou para a jornalista Vera Magalhães para se desculpar pelos insultos feitos pelo deputado estadual Douglas Garcia à profissional.

"Eu telefonei e pedi desculpas por esse cara [Douglas Garcia] estar lá com uma credencial cedida pela minha campanha. Eu mal conheço, nem tenho contato com esse idiota", afirmou o candidato à coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo Tarcísio, Douglas Garcia entrou em contato com sua campanha para saber se ainda seria possível conseguir um ingresso para o debate. Como ainda havia credencial, ela foi dada para o parlamentar.

Douglas Garcia foi vetado de todos os próximos atos da campanha de Tarcísio.

Mais tarde, Tarcísio disse que o aliado Douglas Garcia deve ser "punido severamente".

Tarcísio declarou que não pode falar pelo Republicanos, partido ao qual tanto ele quando Garcia são filiados, e disse que a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) deve punir o correligionário.

— Eu não posso falar pelo partido, mas eu acho que esse tipo de atitude tem que ser punida severamente. Inclusive pela Alesp — afirmou.

'Se sentem autorizados por Bolsonaro'

De acordo com Vera, ainda durante o debate, o parlamentar bolsonarista começou a gravá-la, sem autorização dela. Nas redes sociais, a jornalista disse que o deputado tentou intimidá-la.

“Ele veio mentir novamente. Ele foi ao debate para me acossar, me intimidar, achar que com isso irá me calar e que terei medo. Isso não é aceitável. O Brasil é uma democracia e pressupõe uma imprensa livre”, disse Vera.

Vera disse ainda que está recebendo ataques de seguidores do presidente Jair Bolsonaro.

“Desde o debate [presidencial], estou recebendo ataques violentos e virulentos de uma base bolsonarista autorizada pelo presidente da República. Ele me atacou e eles se sentem autorizados a repetir os ataques”, informou a jornalista.