Ministério Público de SP quer que MPF apure tráfico de bebês relacionado a João de Deus

João de Deus (Cesar Itiberê/Fotos Publicas)

O Ministério Público de São Paulo encaminhou informações ao Ministério Público Federal (MPF) sobre o suposto envolvimento do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, em um esquema de tráfico internacional de bebês e de escravização de mulheres para que sejam investigadas.

O caso foi apresentado pela ativista Sabrina Bittencourt do grupo “Somos Muitas”, que deu voz a uma série de mulheres que buscaram atendimento espiritual e teriam sido vítimas de abuso sexual por parte do médium. Com as informações, João de Deus foi denunciado e preso.

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Sabrina divulgou um vídeo nas redes sociais no qual afirma que o médium integraria uma quadrilha de tráfico de bebês e também de escravização sexual de mulheres há pelo menos 20 anos. Funcionários dele também atuariam no esquema.

“Em geral, (eram) mulheres negras de baixa renda, tanto em Abadiânia quanto em Anápolis e no norte de Minas, que viviam próximas dos garimpos ilegais de João de Deus”, diz a ativista no vídeo. Ela afirma ter coletado relatos de mães adotivas e provas que não foram ditas na gravação.

Os bebês, segundo ela, eram comercializados com famílias estrangeiras a valores entre US$20 mil e US$ 50 mil. Ao portal UOL, a coordenadora do Núcleo de Gênero do MP-SP, promotora Valéria Scarance falou sobre a “riqueza de detalhes dos relatos”. “É um fato que precisa ser apurado”, afirmou.

Defensor do médium, o advogado Alberto Toron, disse que, sem a apresentação de provas, as acusações não merecem consideração.