Ministério Público denuncia marido de Tatiane Spitzner por homicídio, cárcere privado e fraude processual

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O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou, nesta segunda-feira (6), o biólogo Luís Felipe Mainvailer, de 32 anos, pela morte da esposa Tatiane Spitzner, de 29, pelo crime de homicídio com quatro qualificadoras – meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio.

Luis Felipe também foi denunciado por fraude processual por alterar a cena do crime e cárcere privado.

Na denúncia, os promotores pediram que ele continue preso já que ele mostrou “comportamento extremamente agressivo e perigoso (…)”.

Tatiane foi encontrada morta depois de cair do 4º andar do prédio onde o casal morava, em Guarapuava (PR). A perícia feita no local da morte constatou que ela teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.

Os promotores argumentam que Luis Felipe, flagrado pelas câmeras de segurança agredindo a mulher minutos antes da queda, é o responsável pela morte dela.

Entenda os crimes pelos quais ele foi denunciado

Cárcere privado: O marido “impediu, mediante violência, que a ofendida se afastasse do denunciado, por pelo menos três vezes, constrangendo-a a deixar a garagem do edifício em sua companhia, a permanecer dentro do elevador e a ingressar no apartamento em que residiam, restringindo a liberdade de locomoção da vítima”, dizem os promotores.

Fraude processual: Manvailer agiu dolosamente, “ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, inovou artificiosamente, visando produzir efeito em processo penal ainda não iniciado, o estado de lugar e de coisas, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, mediante a remoção do corpo da vítima Tatiane Spitzner do local da queda e limpeza de vestígios de sangue, conforme imagens do circuito interno de câmeras”, disse o MP.

Homicídio qualificado

  • Meio cruel: praticar o delito mediante asfixia;
  • Dificultar defesa da vítima: em razão da sua superioridade física e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação;
  • Motivo torpe: desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais;
  • Feminicídio: assassinato contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
Luis Felipe e Tatiane Foto: Reprodução/Facebook

O Ministério Público decidiu arquivar o crime de furto do carro de Tatiane, que ele usou para fugir, considerando que os dois eram casados em regime de comunhão parcial de bens.

Luis Felipe nega as acusações e diz que a esposa se jogou da sacada. A defesa dele diz aguardar o resultado de exames periciais e a realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado.

“Nesse momento é importante reafirmar que qualquer posicionamento sobre o caso, seja dos Delegados, Promotores, Advogados de Acusação ou de outro profissional que tenha participado do todo ou de parte deste apuratório (que sequer se encontra efetivamente concluído, já que pendentes importantes diligências) estará tratando de hipóteses especulativas, baseadas em fragmentos, que destoam de comprovação técnica científica”.

Relembre o caso

Reprodução/Facebook

A queda de Tatiane foi na madrugada do dia 22 de julho. Conforme a Polícia Civil, depois da queda, Luis Felipe recolheu o corpo da esposa e o levou de volta para o apartamento.

O marido foi preso após sofrer um acidente de carro na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava. Ele disse que se acidentou porque a imagem da esposa pulando a sacada não saía da cabeça dele – a polícia suspeita que ele estava fugindo para o Paraguai.

O casal estava junto havia cinco anos e era “feliz”, de acordo com a defesa do marido. O Ministério Público (MP-PR), porém, diz que Tatiane vivia um relacionamento abusivo. Familiares e amigos relataram que ela queria pedir o divórcio.

Conversas por WhatsApp de Tatiane com uma amiga mostram como estava a relação dela com o marido. Nas mensagens, entre março e junho deste ano, a advogada relatou sentir “medo” e disse que o marido tinha “ódio mortal” por ela.

Os promotores estão analisando, agora, imagens e depoimentos das testemunhas e resultados de exames da Polícia Científica que começaram a sair.

Até o momento, o MP tem em mãos o inquérito da Polícia Civil, que tem 400 páginas com 18 depoimentos, relatório detalhado da imagens das câmeras de segurança e o laudo do local da morte que mostra marcas no pescoço de Tatiane.

Ainda faltam os laudos da necropsia que deve indicar se a advogada foi morta antes de cair ou com a queda do quarto andar; da perícias nos celulares de Tatiane e de Luís Felipe; da perícia feita com ajuda de um boneco no prédio em que o casal morava e de laudos laboratoriais nos ossos da vítima.