Ministra da Agricultura é ‘musa do veneno’ e parceira da JBS

Futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina concede coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília (DF). Foto: Fátima Meira/Futura Press

Escolhida para o Ministério da Agricultura de Jair Bolsonaro, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) já deu sinais de como irá tocar a pasta. Segundo ela, os produtores rurais precisam de segurança jurídica, defesa da propriedade e um ministério ‘mais moderno’.

Ainda não está decidido o tamanho do novo Ministério da Agricultura. É possível que a pasta incorpore áreas como pesca e agricultura familiar. Tereza Cristina afirmou que pretende se encontrar com o atual titular da pasta, Blairo Maggi.“Hoje a agricultura e a agropecuária brasileiras são o nosso motor. É o carro-chefe da nossa economia, então temos de ver o que mais está faltando para que este motor seja mais acionado porque capacidade de produção, nossos produtores têm”, disse a nova ministra em entrevista a Agência Brasil.

Tereza Cristina ainda afirmou que, sob o seu comando, o Ministério da Agricultura deve se concentrar na produção sustentável e na redução do que ela chama de indústria de multas.  “Acabar com a indústria das multas, ter normas claras, ter um ambiente de negócios mais favorável. É o que o Brasil precisa para receber empreendimentos tanto externos quanto internos. Licenças serem mais ágeis não quer dizer perder segurança. Alguns processos precisam ser modernizados”, argumentou.

Propriedade, movimentos sociais e comércio exterior

Questionada sobre propostas em  tramitação no Congresso relacionadas à defesa de propriedade e que podem enquadrar ocupações como ações terroristas, Tereza Cristina evitou se posicionar sobre os temas.

“Tenho um pouco de dúvidas porque já temos leis sobre isso. É uma coisa que tem de ser discutida com o [futuro] ministro [Justiça] Sergio Moro”, afirmou a deputada federal. Segundo ela, a equipe de transição trabalha também para analisar este tipo de assunto”, disse.

Ela também afirmou que pretende trabalhar completamente alinhada ao Ministério das Relações Exteriores.  “É muito importante este ministério andar junto com a Agricultura principalmente para [enfrentar] estes problemas externos que a gente pode ter, dependendo da condução política.”

Ao ser perguntada sobre a saia justa provocada pela intenção do presidente eleito, Jair Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém em Israel, Tereza Cristina confirmou que está recebendo telefonemas de empresários brasileiros, ligados ao setor, preocupados com ameaças de prejuízos de um possível boicote de países árabes.

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Meio Ambiente e JBS

Tereza Cristina ficou nacionalmente conhecida pelo apelido “musa do veneno” por conta de sua atuação em defesa do que deixa a critério do Ministério da Agricultura o registro de agrotóxicos no país. E que, na prática, torna ainda mais flexíveis as regras do uso de agrotóxico no Brasil.

Ela afirmou que espera ter uma relação muito boa com a pessoa que irá ser escolhida para comandar o Ministério do Meio Ambiente. A ideia do presidente eleito, Jair Bolsonaro era fundir os dois ministérios, mas ele recuou após repercussão negativa do projeto.

Tereza Cristina foi citada na lista de doações da JBS e, apesar de se sentir desconfortável com a situação, garante que não existe o menor conflito de interesses na sua futura função. “Eu não tive doação da JBS direto para mim. Foi uma doação via dois parlamentares do meu estado e como eu era deputada federal deram. Tenho tranquilidade, as doações foram legais e estão lá na minha declaração. Quem quiser olhar, não tem problema. Vamos ter tratamento igual para todos. Nós precisamos ter um Brasil transparente com governança”, finalizou.