Ministra da Mulher assume pasta com gesto ao movimento feminista e promete anúncio de novas políticas no dia 8 de março

Cida Gonçalves, ministra das Mulheres, tomou posse nesta terça-feira em Brasília com críticas ao governo anterior. Em seu discurso, Cida afirmou que a gestão da pasta sob Bolsonaro foi um "projeto de destruição" e prometeu como prioridade a retomada do programa "Mulher Viver Sem Violência".

Segundo a ministra, no dia 8 de março, quando se comemora o Dia Internacional das Mulheres, haverá o anúncio de políticas integradas com outros ministérios para atender às mulheres.

Ela disse que a composição da pasta, que no governo anterior se chamava Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, foi uma "usurpação". A gestão do ministério estava com Damares Alves (Republicanos), que deixou o posto para concorrer e ser eleita senadora pelo Distrito Federal.

— Foi uma usurpação, pois não cuidou das mulheres, das famílias e nem dos direitos humanos. Muito pelo contrário. A destruição dos direitos das mulheres no último governo não foi um acaso, mas um projeto. Um projeto político de invisibilização e sujeição da mulher.

Cida também criticou fortemente a corte de orçamento para o Ministério das Mulheres nos últimos anos:

– Para 2023, conseguimos reverter parcialmente essa perda para dar continuidade aos programas prioritários da pasta. Não é suficiente, estaremos sempre trabalhando pelo aumento do orçamento público para as mulheres.

Ela destacaou que, no governo Bolsonaro, ocorreu a paralisação de programas como Casa da Mulher Brasileira e o Disque. A ministra afirmou que o país viveu um recorde de feminicídios no primeiro semestre de 2022, quando 700 mulheres foram mortas. Citou ainda 66 mil mulheres vítimas de estupro em 2021 e 230 mil vítimas de violência física.

A ministra anunciou que a professora e líder sindical, Maria Helena Guarezi, será sua secretária executiva. Guarezi chegou a ser cotada para assumir a pasta como ministra e contava com o apoio da primeira-dama Janja da Silva, de quem é amiga.

Durante a posse, uma modificação do hino nacional foi feita para incluir as mulheres. A cantora Myrla Muniz fez uma releitura do hino no verso "dos filhos deste solo é mãe gentil, pátria amada, Brasil". Além de dizer o verso original, ela cantou: "das filhas deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil".

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também deu uma palinha cantando versos da música "Maria, Maria".