Ministra do Turismo, Daniela do Waguinho abandona nome de urna e é nomeada como Daniela Carneiro

A deputada federal Daniela do Waguinho (União-RJ) tomou posse nesta segunda-feira como ministra do Turismo do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em solenidade marcada pela presença de parlamentares, Daniela decidiu abandonar o nome de urna e foi apresentada apenas como Daniela Carneiro.

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A ministra é casada com o prefeito de Belford Roxo (RJ), Wagner Carneiro, o Waguinho, que coordenou a campanha eleitoral de Lula na Baixada Fluminense e é presidente do União Brasil no Rio e Janeiro.

Anunciada em auditório da pasta em Brasília, na Esplanada dos ministérios, ela subiu ao palco com o marido; o deputado Marcelo Freixo, que se desfiliou do PSB para assumir a Embratur; o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano; e o presidente do União Brasil, Luciano Bivar.

Na solenidade, o protagonismo de Daniela foi citada em discursos. Freixo, por exemplo, fez uma brincadeira com o prefeito de Belford Roxo.

— Queria agradecer demais à ministra Daniela Carneiro. Muito importante ter uma mulher à frente desta pasta muito importante. E quero cumprimentar o prefeito "Waguinho da Daniela". Eu já tinha feito essa brincadeira lá dentro para testar. Essa é a vida do século XXI.

A indicação da parlamentar preenche uma das indicações do União Brasil para a Esplanada dos Ministérios. Além dela, Juscelino Filho (Comunicação) e Waldez Góes (Integração Nacional) ocupam os espaços destinados à legenda.

No domingo, na solenidade de posse de Lula, Waguinho também ouviu de outras pessoas que agora a sua mulher teria um cargo de maior importância. Enquanto Lula cumprimentava os embaixadores, ministros que não se conheciam trocaram algumas palavras. Daniela cumprimentou o seu colega de Justiça e Segurança, Flávio Dino. Depois, apresentou o seu marido.

— Queria agradecer o apoio de vocês no Rio e dar boa sorte: — disse Dino, dirigindo-se depois ao marido: — É assim mesmo, a minha mulher também manda mais do que eu.

Aos 46 anos, ela foi professora do Ensino Fundamental e secretária de Educação do Rio. Também ocupou a pasta de Assistência Social em Belford Roxo, o oitavo maior colégio eleitoral do estado, com mais de 360 mil eleitores.

Estiveram presentes na posse parlamentares do PT, como Quaquá (PT-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), Lindbergh Farias (PT-RJ), Arlindo Chinglia (PT-SP) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Ao discursar, Daniela falou sobre a importância de apoiar o desenvolvimento sustentável e comemorou a longevidade da pasta.

— É muito emblemático que isso aconteça no momento em que o Ministério do Turismo complete neste mês 20 anos, criado pela primeira vez pelo governo Lula.

Deputada mais votada do Rio de Janeiro, com 213 mil votos, teve seu apoio e o do marido disputado pelas campanhas de Lula e Bolsonaro antes do segundo turno. Em outubro, o casal decidiu apoiar Lula na disputa pela Presidência. Antes, contudo, Waguinho chegou a ser cortejado pelo adversário derrotado Jair Bolsonaro.

Em 2018, quando Jair Bolsonaro concorria contra Fernando Haddad (PT), ela defendeu o voto no então candidato do PSL. Já em 2022, chegou a criticar, em vídeo, a “ideologia de gênero nas escolas” e o “lobby para a linguagem neutra”, discurso afinado com a pauta de costumes bolsonarista.

Mas o alinhamento ao bolsonarismo não foi irrestrito. Durante a pandemia, ela destacou nas redes o voto para derrubar veto de Bolsonaro, que havia rejeitado o uso obrigatório de máscara em escolas e no comércio. Daniela também foi contra o voto impresso e a ampliação do porte e da posse de armas para CACs.