Ministro alemão mostra irritação com ritmo de vacinação na UE

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BERLIM (Reuters) - O ministro de Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, demonstrou irritação neste sábado com o fato de a União Europeia não ter encomendado mais vacinas contra Covid no ano passado, enquanto a chefe-executiva do bloco, Ursula von der Leyen, renovou sua defesa da Comissão Europeia na aplicação dos imunizantes.

Países da União Europeia aplicaram as primeiras doses de vacina para menos de 4% de suas populações até o momento, o que se compara com 11% nos Estados Unidos e quase 17% no Reino Unido, segundo dados da Our World in Data.

Von der Leyen tem estado sob constante pressão devido à lenta aplicação das vacinas no bloco.

"Estou irritado com algumas das decisões que foram tomadas no ano passado", disse Scholz à rádio BBC. "Eu acredito que houve oportunidade de ter encomendado mais vacinas".

Questionado sobre a responsabilidade de von der Leyen pela lentidão na imunização, Scholz respondeu, em inglês: "Acho que é preciso que alguém aprenda a lição, e isso também é válido para a Europa. Eu acredito que a União Europeia é forte."

Scholz, dos social democratas, e von der Leyen, dos democratas cristãos, atuaram juntos na coalizão governista alemã até 2019, quando ela saiu para assumir a presidência da Comissão Europeia.

Em artigo que será publicado no domingo, von der Leyen defendeu que não é correto dizer que fechar contratos por vacinas mais cedo teria acelerado suas entregas.

"O gargalo está em outro lugar. Produzir uma nova vacina é um negócio incrivelmente complexo", escreveu ela, acrescentando que "dos centenas de componentes necessários, há ingredientes importantes que estão em falta pelo mundo".

Ao descrever a luta contra o vírus como "uma maratona, e não uma corrida", von der Leyen disse ainda que a preocupação no momento é com as mutações.

"Nós precisamos nos preparar hoje para um cenário no qual o vírus não seria mais suficientemente contido com as vacinas atuais", afirmou ela.