Ministro da Casa Civil, general Ramos, leva tombo durante evento da Marinha; Veja vídeo

Redação Notícias
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  • Ministro Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, levou um tombo durante a posse do novo comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos

  • A queda de Ramos ocorreu no início da cerimônia, quando os presentes na foram convidados a se sentarem

  • No dia 30 de março, o Ministério da Defesa anunciou a saída dos comandantes das três Forças Armadas: Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica)

O ministro Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, levou um tombo durante a posse do novo comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos. O episódio aconteceu nesta sexta-feira (9), em Brasília, no Distrito Federal.

A queda de Ramos ocorreu no início da cerimônia, quando os presentes foram convidados a se sentarem. No entanto, o ministro da Casa Civil, que iria se acomodar atrás do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), parece não ter calculado bem a posição do assento e sofreu a queda.

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Após o episódio, assessores ajudaram o ministro a se levantar. Em seguida, ele fez um sinal com as mãos para dizer que estava tudo bem. O gesto foi retribuído pelo presidente Bolsonaro com um "jóia". 

Nas imagens, captadas pela TV Brasil, que transmitia a posse do novo comandante da Marinha ao vivo, Bolsonaro parece comentar a queda com o vice-presidente Hamilton Mourão, que também participava da cerimônia. (Veja o vídeo no início da matéra)

O almirante Almir Garnier Santos assumiu o comando da Marinha após a saída do também almirante Ilques Barbosa. Durante a cerimônia o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, destacou o avanço da Marinha em programas estratégicos como o Nuclear (de desenvolvimento e construção de uma planta nuclear de geração de energia elétrica) e o de desenvolvimento de submarinos, o Prosub, além do apoio dos militares em ações de combate à pandemia e no auxílio à vacinação.

Já o novo comandante, bastante emocionado, destacou sua trajetória de 50 anos na Marinha, o apoio da família e os valores da Força. Garnier ressaltou ainda a importância do desenvolvimento da ciência e tecnologia para a Marinha do Brasil e se comprometeu a manter as iniciativas de inovação em andamento.

Comando da Marinha

No dia 30 de março, o Ministério da Defesa anunciou a saída dos comandantes das três Forças Armadas: Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica).

O anúncio aconteceu um dia após o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, ter deixado o cargo. No lugar dele, Bolsonaro nomeu o general da reserva Walter Souza Braga Netto, que até então comandava a Casa Civil.

De acordo com a Defesa, a decisão foi comunicada em reunião com presença do Ministro da Defesa nomeado, Braga Neto, do ex-ministro, Fernando Azevedo, e dos Comandantes das Forças.

Almirante Almir Garnier Santos

Com perfil mais discreto e moderado, o almirante de esquadra Almir Garnier Santos foi escolhido como novo comandante da Marinha. 

O seu último cargo era de Secretário-Geral do Ministério da Defesa, o que indica a sua proximidade com o ex-ministro Fernando Azevedo. Ele entrou na carreira militar como guarda-marinha em 1981 e foi promovido a almirante de esquadra em 2018.

O novo comandante já assessorou os ex-ministros Celso Amorim, Jaques Wagner e Aldo Rebelo, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e o ex-ministro Raul Jungmann, na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Comando do Exército

Escolhido como novo comandante do Exército, o general Paulo Sérgio Nogueira diverge da postura adotada pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia da Covid-19. Responsável pelo Departamento-Geral do Pessoal do Exército, função administrativa, o general afirma que a aplicação de medidas sanitárias e de conscientização ajudou reduzir o índice de contaminação e letalidade nos quartéis em relação ao restante do Brasil.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, no último final de semana, Nogueira conta que utiliza um sistema de escala com maior alternância de turnos presenciais para reduzir chances de aglomeração no trabalho. Além disso, integrantes do grupo de risco passaram a trabalhar em home office. As cerimônias também foram suspensas e há campanhas massivas pelo distanciamento social, o uso de máscaras e higienização das mãos.

Na conversa, o general avaliou que o Brasil precisa estar preparado para uma possível terceira onda do novo coronavírus que poderia ocorrer dentro de dois meses. Para ele, as mortes diárias decorrentes da doença no país atualmente representam "números de guerra". As falas desagradaram o Palácio do Planalto.

Ações de proteção contra a Covid-19

Nas redes sociais, o general também destaca as ações de proteção contra a Covid-19, com visitas técnicas a batalhões e hospitais militares para verificar as medidas adotadas.

"Seriedade, responsabilidade e cuidado com a saúde de nossa gente. Em todo início de ano um novo contingente de soldados é incorporado ao Exército para a prestação do serviço militar. Com a pandemia, rigoroso protocolo de segurança foi seguido, inclusive com a testagem para COVID", escreveu em publicação feita em 4 de março.

Em outra publicação, no mesmo mês, ele ressaltou que o desemprego e as perdas em tempos de pandemia fazem com que o cuidado com a saúde mental tenha que ser redobrado.

No início do ano, a morte do general Geraldo Antonio Miotto, ex-comandante do Comando Militar do Sul, vítima do novo coronavírus, foi marcante para Nogueira que, na época, disse ter perdido um amigo.

Apesar de substituir o general Edson Pujol no comando do Exército, que teve uma série de desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro, ele é próximo ao antecessor. Também tem boa relação com o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

O general José Luiz Freitas, comandante de Operações Terrestres do Exército, disse que o general Paulo Sérgio é uma "excepcional figura humana e profissional exemplar".

A escolha, além de agradar o Alto Comando do Exército, também respeita a hierarquia da instituição, algo que chegou a ser colocado em cheque no processo. O nomeado era o terceiro pelo critério de antiguidade. Por ter sido criticado pelo Palácio do Planalto, também reforça a mensagem de que a instituição não tem alinhamento político com o governo.

Nogueira ingressou no Exército em 1974. Três anos depois, foi para a Academia Militar das Agulhas Negras, no mesmo ano em que o presidente Jair Bolsonaro se formava na instituição.

Comando da Aeronáutica

Em outra frente, o novo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Baptista Jr., possui um alinhamento mais claro ao presidente Jair Bolsonaro. Ativo nas redes sociais, ele destaca o número vacinados contra a Covid-19 em suas publicações. Como mostrou a coluna de Miriam Leitão, ele também compartilhou vídeos com "sete motivos para acreditar no fim da pandemia", mas também criticou a aglomeração de jovens.

Em novembro, Baptista Jr. retuitou comentário que garantia que o presidente americano Donald Trump seria reeleito. Em fevereiro, postou que "a primeira indicação que fazia" para os seus seguidores era do secretário da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que se refere ao movimento negro como "escória maldita". Segundo Baptista Jr., Oliveira "o faz pensar sobre temas de grande importância". Além disso, também já compartilhou comentários críticos à imprensa.

Com 46 anos de carreira militar, Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira em 1975 e foi promovido ao posto de Tenente-Brigadeiro em 2018. Atualmente, ele é o Comandante do Comando-Geral de Apoio.

Reforça ministerial de Bolsonaro

Pressionado pelo Congresso, o presidente Jair Bolsonaro fez em março a sua primeira reforma ministerial após mais de dois anos de governo. De uma única vez, fez seis mudanças em alguns dos seus principais ministérios e sacramentou a entrada do Centrão no Palácio do Planalto.