Bolsonaro questiona segurança das eleições; Defesa diz que militares não se sentem prestigiados

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Funcionária da Justiça eleitoral examina urna eletrônica em Curitiba antes do segundo turno de 2018
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Por Maria Carolina Marcello e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA/LOS ANGELES (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, em Los Angeles, que as eleições não podem ser realizado sob o "manto da desconfiança", ao mesmo tempo em que o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira De Oliveira, sustentava em ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, que apesar do convite da corte, as Forças Armadas não se sentem "devidamente prestigiadas".

Bolsonaro, assim como seu ministro --a quem deve procurar quando retornar ao Brasil-- têm reiterado sugestões e questionamentos sobre a segurança do sistema de votação do país em declarações já refutadas pelo TSE.

"Chegando no Brasil vou conversar com o ministro da Defesa para que ele me explique", disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar hotel em Los Angeles.

"Acredito que ele queria buscar novamente o ministro Fachin para tentar discutir com o corpo técnico e não podemos ter eleições, está lá no oficio, no final, que eu li, sob o manto da desconfiança", acrescentou o presidente.

No ofício, o ministro agradece e reconhece que o convite do TSE para a participação dos militares em comissão de transparência da corte amplia o escopo de atuação das Forças Armadas nas eleições deste ano, já que em pleitos passados os militares tiveram atuação com foco no suporte logístico e segurança. Diz, no entanto, que as sugestões propostas pelas Forças Armadas ainda carecem de debate com equipe técnica.

"Até o momento, reitero, as Forças Armadas não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE", diz o ministro da Defesa no documento encaminhado a Fachin.

"Por fim, encerro afirmando que a todos nós não interessa concluir o pleito eleitoral sob a sombra da desconfiança dos eleitores. Eleições transparentes são questões de soberania nacional e de respeito aos eleitores", seguindo a linha de declarações de Bolsonaro, que já afirmou em diversas ocasiões que não aceitará o resultado de eleições que não considerar "limpas".

Nogueira questiona ainda os convites tradicionalmente feitos pelo TSE para esta e eleições anteriores a observadores externos. Para o ministro, "não basta, portanto, a participação de 'observadores visuais', nacionais e estrangeiros, do processo eleitoral", uma vez que o processo de votação se dá por meio eletrônico.

O TSE tem reiterado, seja por meio de ministros, seja por meio de testes e divulgação de dados, que o sistema de votação é seguro, confiável, e que as urnas são invioláveis.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello, em Brasília, e Lisandra Paraguassu, em Los Angeles)

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