Ministro da Defesa nega ameaça às eleições e diz que cabe ao Congresso decidir sobre voto impresso

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O ministro da Defesa, general Braga Netto, negou nesta quinta-feira que tenha feito ameaças às eleições em 2022, conforme mostrou reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal 'O Estado de S. Paulo'. O general também afirmou que a discussão e a decisão acerca do voto impresso cabem exclusivamente ao Congresso Nacional, onde tramita uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema.

Para Braga Netto, a ameaça poderia gerar “instabilidade entre os Poderes da República”:

“O Ministério da Defesa reitera que as Forças Armadas atuam e sempre atuarão dentro dos limites previstos na Constituição. A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira são instituições nacionais, regulares e permanentes, comprometidas com a sociedade, com a estabilidade institucional do País e com a manutenção da democracia e da liberdade do povo brasileiro”, diz a nota.

Segundo reportagem do jornal 'O Estado de S. Paulo' publicada nesta quinta-feira, o ministro da Defesa teria feito uma ameaça e condicionou as eleições de 2022 ao voto impresso. De acordo com a publicação, Braga Netto enviou o recado por meio de um interlocutor que não teve o nome revelado.

Reação

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou nesta quinta-feira ter conversado com Braga Netto e com Lira e disse que ambos desmentiram, "enfaticamente", qualquer episódio de ameaça às eleições.

"Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia", escreveu Barroso em uma rede social.

O presidente do TSE, que tem feito uma defesa enfática da segurança das urnas eletrônicas, tem sido alvo de críticas por parte do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que não haveria eleição sem voto impresso. O voto impresso é uma das principais causas defendidas atualmente pelo presidente e seus aliados.

Também em uma rede social após a publicação da reportagem, Arthur Lira não desmentiu as supostas ameaças, mas reiterou que as eleições de 2022 irão acontecer.

"A despeito do que sai ou não na imprensa, o fato é: o brasileiro quer vacina, quer trabalho e vai julgar seus representantes em outubro do ano que vem através do voto popular, secreto e soberano", escreveu o presidente da Câmara.

O deputado também disse que "as últimas decisões do governo foram pelo reconhecimento da política e da articulação como único meio de fazer o País avançar".

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