Ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira não revelou fraude nas urnas

Ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira em uma cerimônia da Marinha, na base naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, em 1º de setembro de 2022 (Foto: AFP via Getty Images / Mauro Pimentel)
Ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira em uma cerimônia da Marinha, na base naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, em 1º de setembro de 2022 (Foto: AFP via Getty Images / Mauro Pimentel)

Um vídeo de um homem fazendo falsas alegações sobre as urnas eletrônicas circula nas redes sociais com mais de 3,2 mil visualizações. Segundo usuários, ele seria o ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira.

"Nós tivemos fraudes no primeiro turno das eleições. O presidente que resolveu apostar no segundo turno achando que iria conseguir conter o sistema que o sistema inteiro está conspirando contra a direita no Brasil", diz o homem no início da gravação.

Contudo, é falso que o registro mostra Paulo Sérgio Nogueira, além disso, diversas entidades atestaram a confiabilidade das urnas e a ausência de fraudes no processo eleitoral brasileiro.

Captura de tela de um vídeo que circula nas redes como se mostrasse o ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira revelando supostas fraudes nas eleições (Foto: Facebook / Reprodução)
Captura de tela de um vídeo que circula nas redes como se mostrasse o ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira revelando supostas fraudes nas eleições (Foto: Facebook / Reprodução)

Buscas por vídeos no Google a partir das palavras-chave "Paulo Sérgio Nogueira fraude eleições" não identificaram entrevistas em que o ministro estivesse revelando supostas provas de interferências no pleito.

Ao comparar a aparência e voz de Nogueira – que aparece no vídeo de uma reunião no Senado – com as do o homem da gravação viral, é possível constatar que não se trata da mesma pessoa.

Além disso, as alegações de supostas fraudes não se sustentam. Até o momento, não foi apresentada nenhuma prova de violação ao sistema eletrônico de votação, o qual nunca sofreu qualquer fraude.

Ao contrário, instituições que atuaram como observadoras no pleito brasileiro reforçaram a confiabilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira e a jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no combate à desinformação como exemplar para a América Latina. A Uniore também classificou as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para a resolução dos problemas que surgiram como democráticas.

De maneira semelhante, a Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) publicou um relatório preliminar em que observa que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível" e concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas". Em relação à campanha eleitoral, a Rede ressaltou a "atitude positiva" do TSE "ao agir em tempo oportuno nas situações que se colocaram no decurso da campanha eleitoral por parte de qualquer dos dois candidatos presidenciais".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) – que igualmente atuou como observador no Brasil – publicou que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral. "O TSE conduziu o processo com imparcialidade em relação às diferentes forças políticas [...]. No mesmo sentido, a urna eletrônica no Brasil mais uma vez provou sua confiabilidade". O International IDEA classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias".

O TCU (Tribunal de Contas da União), que realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação, analisou os boletins de urna do segundo turno e não identificou qualquer divergência nos mais de 5 milhões de informações comparadas.