Ministro da Defesa tenta contornar desgaste promovendo reuniões entre integrantes do governo e militares

Sob pressão após os atos terroristas do dia 8 de janeiro, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, começou a se articular para diminuir o desgaste com o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na terça-feira, ele promoveu um encontro entre o ministro da Justiça, Flávio Dino, e os comandantes das Forças Armadas. A estratégia de Múcio é buscar uma aproximação entre ministros e os militares, promovendo reuniões semanais.

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Múcio foi criticado por setores do PT por, na avaliação deles, não ter tomado uma postura mais enérgica em relação aos acampamentos bolsonaristas em frente aos quartéis generais. Em uma reação para contornar essa crise, o ministro da Defesa quer aumentar a interação entre civis do governo e militares para ampliar o diálogo de integrantes do Poder Executivo com as Três Forças.

A reunião com Dino ocorreu durante um almoço em seu gabinete no Ministério da Defesa com os comandantes do Exército, general Júlio Cesar Arruda; da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen; e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, além do chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire.

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De acordo um dos participantes, os atos terroristas de domingo foram alvo de reprovação por todos, civis e militares. Outro tema discutido no almoço são planos para ações conjuntas na Amazônia. Na próxima semana, será a vez do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que, no início desta semana, esteve no quartel general do Exército acompanhando a retirada dos acampamentos de manifestantes golpistas.

Apesar da pressão e das críticas, a avaliação no entorno do presidente Lula é que os ataques promovidos por manifestantes golpistas às sedes dos Poderes desgastaram o ministro da Defesa, mas não a ponto de fazê-lo deixar o cargo. O entendimento no núcleo central do governo é que, embora inicialmente Múcio tenha minimizado os acampamentos bolsonaristas e defendido uma desmobilização conciliada, o episódio fez com que a ficha sobre a gravidade da situação tenha caído para o ministro.

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Ao tomar posse, no dia 2, Múcio havia declarado que as manifestações eram democráticas e afirmou que tinha parentes e amigos entre os acampados. O ministro da Defesa foi escolhido por Lula justamente pelo seu perfil conciliador e substituí-lo neste momento não seria uma tarefa fácil. Múcio começou a sua carreira política na década de 1970 como filiado da Arena, partido que dava sustentação à ditadura militar no país.