Ministro da Justiça discute com PF e PRF providências contra novas manifestações antidemocráticas

O ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou neste sábado que está discutindo com a cúpula da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal providências a serem tomadas contra atos antidemocráticos que ainda ocorrem no país. Apesar da desmobilização de manifantes em algumas capitais, como a registrada pelo GLOBO em Brasília, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que não aceitam a derrota eleitoral têm convocado novas mobilizações.

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Nas publicações feitas por bolsonaristas, há anúncios de fretamento de ônibus com destino à capital federal e a defesa da interrupção no abastecimento de combustível e mantimentos pelo país.

"Desde cedo, eu e os diretores gerais da PF e da PRF estamos em diálogo e definindo novas providências sobre atos antidemocráticos que podem configurar crimes federais. Vamos manter a sociedade informada. Pequenos grupos extremistas não vão mandar no Brasil", afirmou Dino em uma rede social.

As condutas podem configurar crimes contra o estado democrático e outros delitos. Já há investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os grupos bolsonaristas que, desde o resultado do segundo turno da eleição, têm realizado atos como bloqueios de rodovias, manifestações no quartel-general do Exército e até mesmo vandalismo na capital federal.

Dino disse ainda: "Sobre uma suposta 'guerra' que impatriotas dizem querer fazer em Brasília, já transmiti as orientações cabíveis à PF e PRF. E conversei com o governador Ibaneis (Rocha) e o ministro (da Defesa) Múcio".

O ministro da Justiça tem defendido a retirada dos manifestantes que estão acampados na frente de unidades do Exército por todo o país, mas seu posicionamento provoca divergência com o ministro da Defesa José Múcio, que tenta realizar uma saída negociada desses manifestantes.

Segundo mostrou ontem a CNN Brasil, Múcio apresentou a Lula, durante reunião ministerial, um balanço que apontava a presença de cerca de 5 mil manifestantes ainda acampados em diversas cidades do país. Segundo o Exército, cerca de 300 pessoas ainda permaneciam em frente ao quartel-general em Brasília no início da semana, um número bem menor que as cerca de 2,5 mil pessoas que se concentraram lá no auge das manifestações antidemocráticas. Procurados neste sábado, Exército e Defesa não informaram um novo balanço.