Ministro da Justiça diz que Defesa fez pedido legítimo ao TSE: 'por que negar?'

O ministro da Justiça, Anderson Torres, defendeu nesta sexta-feira, em Los Angeles, onde integra a delegação brasileira que participou da IX Cúpula das Américas, o envio por parte do Ministério da Defesa de um ofício ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no qual insiste em que as sugestões das Forças Armadas sobre ”aperfeiçoamentos e segurança do processo eleitoral” sejam levadas em consideração. O ministro enfatizou que tanto o Ministério da Defesa como a Polícia Federal “vão participar de todos os atos, de agora em diante”.

Urnas eletrônicas: saiba o que é fato e o que é fake; faça o teste e descubra

Infográfico: veja como funciona a urna eletrônica e por que é segura

— Houve um pedido legítimo do Ministério da Defesa e eu pergunto, por que negar? Tem alguma coisa a esconder ali? Fica essa coisa, não consigo entender, acho que tem de ser o mais transparente possível — afirmou Torres. — Existe alguma desconfiança em relação ao Ministério da Defesa? Existe alguma desconfiança em relação à Polícia Federal? Essas são as perguntas que eu tenho a fazer — insistiu.

De acordo com o ministro, o objetivo do governo Bolsonaro é “que tenhamos eleições limpas, transparentes, quanto mais pública for a apuração melhor será para o Brasil, para nossa democracia, e o Ministério da Defesa está fazendo a parte dele, assim como a Polícia Federal também está fazendo a parte dela”.

— Todos os anos foram feitas várias recomendações ao TSE pelos peritos da Polícia Federal, profissionais que trabalham e entendem disso. Como está chegando perto das eleições, de agora em diante tem uma série de etapas até o dia da eleição, e tanto o Ministério da Justiça, através da Polícia Federal, e acredito o Ministério da Defesa através das Forças Armadas, vamos fazer um acompanhamento. Agora é a reta final, com esses testes que vão fazer agora vamos realmente ter a certeza se estão ou não observando o que foi elencado por esses profissionais — concluiu.

No ofício enviado ao TSE, o ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, afirma que as Forças Armadas foram elencadas como "entidades fiscalizadoras, ao lado de outras instituições, legitimadas a participar das etapas do processo de fiscalização do sistema eletrônico" pelo TSE, mas que "até o momento", as Forças Armadas "não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE".

As Forças Armadas foram convidadas pelo ex-presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, a integrar o Comitê de Transparência das Eleições (CTE). O convite ocorreu diante da insistência do presidente da República Jair Bolsonaro questionar, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas, usadas há mais de 20 anos nas eleições do país sem qualquer caso de fraude compravado.

Pesquisa do Datafolha publicada no dia 27 de maio mostra, no entanto, que a maioria da população confia nas urnas eletrônicas, usadas no país desde 1996 sem nunca ter qualquer caso de fraude comprovada. No total, 73% responderam que confiam no sistema usado nas eleições, enquanto 24% afirmam não confiar e outros 2% não sabem. Dentre aqueles que confiam nas urnas, 42% dizem confiar muito e 31% confiam um pouco.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos