Ministro da Justiça tem encontros em Los Angeles para explicar buscas por jornalista desaparecido

Protesto do lado de fora da embaixada do Brasil em Londres

Por Lisandra Paraguassu

LOS ANGELES (Reuters) - O desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira pesou entre os membros da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que chegou na quinta-feira a Los Angeles para a Cúpula das Américas, e o ministro da Justiça, Anderson Torres, teve dois encontros para explicar aos governos norte-americano e britânico o que está sendo feito no caso.

Em um deles, com a vice-ministra para África, América Latina e Caribe do Escritório de Relações Exteriores e Desenvolvimento do Reino Unido, Vick Ford, no final da tarde, a britânica pediu que o governo brasileiro fizesse todos os esforços possíveis para encontrar Phillips e Pereira.

“Não houve um tom de cobrança. Eu mostrei para ela o que está acontecendo. Desde o primeiro momento as forças brasileiras começaram a se mexer. É uma notícia grave, é uma notícia importante. Eu tenho 300 homens na área, duas aeronaves, 20 embarcações. Já foi gasto aí mais de meio milhão de reais. Para mostrar que não é brincadeira, que o Brasil está agindo. O Estado brasileiro está trabalhando pesado para localizar essas pessoas”, disse.

O encontro foi revelado pela Reuters mais cedo, em mais um sinal do grau de preocupação do governo brasileiro com a situação. Até agora o governo brasileiro não tem sinais claros do que teria acontecido com o jornalista e o indigenista.

Testemunhas disseram que viram pela última vez o repórter --um freelancer que escreve para o Guardian, Washington Post e outras publicações-- no domingo, junto com Pereira, que já teve cargo de coordenador na Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles estavam em uma viagem para reportagem no Vale do Javari, uma área remota da floresta amazônica que abriga o maior número de indígenas isolados do mundo, além de quadrilhas de tráfico de cocaína e caçadores e pescadores ilegais.

“Do outro lado eu mostrei para ela a dificuldade da região. As pessoas não tem noção do que é a Amazônia e o que é aquele local da Amazônia. Não adianta colocar 30 aeronaves, um milhão de pessoas. Tem que ter muito cuidado paras operar naquela região. É uma região muito difícil do ponto de vista logístico”, disse o ministro.

Além da diplomata britânica, Torres tratou do assunto também com John Kerry, assessor especial do governo norte-americano para temas de meio ambiente. O encontro, que já estava marcado, era para tratar da operação guardiões, de fiscalização na Amazônia, mas Kerry terminou por levantar o assunto.

Mais cedo, uma fonte que acompanha de perto o caso, disse a Reuters que havia sim uma grande preocupação do governo brasileiro em relação ao caso e os rumos que podia tomar.

"Vi uma preocupação pesada dos ministros do Meio Ambiente, da Justiça e do Itamaraty, principalmente. Naquela região qualquer coisa pode ter acontecido, e não temos nenhuma informação ainda", disse a fonte que acompanha a delegação brasileira em Los Angeles.

O governo brasileiro trabalhava com a possibilidade de que o caso seria levantado pelo presidente norte-americano, Joe Biden, durante a reunião bilateral com o presidente Jair Bolsonaro nesta quinta, o que não aconteceu. Ainda assim, o desaparecimento de Phillips e Pereira pesa na delegação.

Nos últimos dias, aumentou a cobrança ao governo norte-americano para que Biden pressione o governo brasileiro por informações.

De acordo com a fonte que conversou com a Reuters, a resposta do Brasil será mostrar o que o governo vem fazendo para tentar encontrar Phillips e Pereira, mesmo que ainda sem informações definitivas.

"Eles estão jogando tarrafa em tudo que é lugar tentando achar alguma coisa", disse.

Investigadores que apuram o desaparecimento estão se concentrando nas pessoas envolvidas com a pesca ilegal e a caça irregular em terras indígenas na região, disseram três policiais à Reuters. "A principal hipótese criminal, até o momento, é que os envolvidos (e a motivação) tenham relação com atividades de pesca e caça ilegal na terra indígena", disse um policial federal.

A embaixadora interina do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, disse em publicação no Twitter que o governo britânico está "profundamente preocupado" que o jornalista e o indigenista ainda não foram encontrados.

"O governo britânico está dando apoio consular à família do sr. Phillips e em contato próximo com autoridades do mais alto nível no Brasil para se manter atualizado em relação aos esforços de busca e resgate. Entendemos que a localização remota da região impõe desafios logísticos consideráveis e já solicitamos ao governo brasileiro que faça todo o possível para apoiar a investigação do caso. Agradecemos a assistência prestada até o momento", acrescentou.

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