Ministro da Justiça pede que PF abra inquérito contra institutos de pesquisa

Anderson Torres é ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Anderson Torres é ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O ministro da Justiça, Anderson Torres, pediu que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar os institutos de pesquisa. Torres, no entanto, não disse quais seriam as irregularidades a serem apuradas pela PF.

“Acabo de encaminhas à Polícia Federal, pedido de abertura de inquérito sobre a atuação dos institutos de pesquisas eleitorais”, afirmou.

“Esse pedido atende a representação recebida no MJSP, que apontou ‘condutas que, em tese, caracterizam a prática de crimes perpetrados’ por alguns institutos”, justificou Torres ao anunciar o pedido, sem especificar quais teriam sido os crimes cometidos.

As pesquisas eleitorais foram alvo de diversos ataques por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados, com ameaças de criminalizar os levantamentos que medem a intenção de voto. Ao longo do processo eleitoral, funcionários de institutos chegaram a ser agredidos por bolsonaristas.

Com a disparidade do indicado pelos institutos e os votos recebidos por Bolsonaro, as críticas ganharam ainda mais força.

Agressão a pesquisador

No dia 20 de setembro, um pesquisador do Datafolha foi agredido com chutes e socos por um bolsonarista em Ariranha (a 378 km de São Paulo), em uma escalada de hostilidade contra profissionais do instituto em meio ao processo eleitoral.

O pesquisador entrevistava uma pessoa, quando Rafael Bianchini se aproximou e, aos gritos, passou a exigir que também fosse ouvido para o levantamento. "Só pega Lula" e "vagabundo" foram um dos termos gritados pelo bolsonarista no meio da rua.

O ataque começou quando o pesquisador finalizou sua entrevista com o outro morador. Ele foi atingido pelas costas, e o tablet usado para a entrevista foi derrubado ao chão. Quando o pesquisador reagiu às agressões, ele passou também a ser atacado por um filho do bolsonarista.

As agressões foram interrompidas com a ação de vizinhos. Foi quando o bolsonarista entrou e saiu de sua casa, em frente ao local, e ameaçou partir para cima do pesquisador com uma peixeira —ele foi contido pelo filho.

"O pesquisador estava desempenhando seu trabalho e foi covardemente agredido fisicamente. Nada justifica qualquer tipo de agressão. Estamos acompanhando um aumento da hostilidade em relação aos pesquisadores e isso é muito preocupante", afirma Luciana Chong, diretora do Datafolha.