Ministro da Saúde diz que não ordenou alteração na forma de contabilizar dados da Covid-19: "não sou maquiador, sou médico"

Julia Lindner e Renata Mariz
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BRASÍLIA — O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que não partiu dele a ordem para modificação na forma que a pasta contabiliza os casos da Covid-19. Novas exigências, já anuladas pelo ministério, fizeram as mortes diárias em São Paulo, por exemplo, despencar de 1.021 para 201 nesta quarta-feira.

— Depois que eu sair daqui nós vamos observar o que está acontecendo. Eu não sou maquiador, eu sou médico. Minha função não é maquiagem, é salvar vidas. Precisamos criar um ambiente novo, de harmonia — afirmou, ao ser questionado em coletiva de imprensa sobre a alteração.

Queiroga evitou responder diretamente se a alteração permaneceria, mas a pasta divulgou nota recuando da medida de exigir preenchimento obrigatório de alguns campos de identificação - número do CPF ou o número do Cartão Nacional do SUS — para notificar dados de casos e óbitos. "A medida foi realizada após solicitação do Conass e Conasems pela ausência de comunicado aos estados e municípios em tempo oportuno", diz a nota.

Ainda sobre o tema, Queiroga disse que trabalhará com dados transparentes e clamou por um "ambiente de harmonia" mais de uma vez.

— Vamos colocar os dados de maneira clara, não somente óbitos, mas também sobre disponibilização de leitos, diagnósticos. Vamos fazer de maneira transparente para que a sociedade brasileira tenha confiança no Estado brasileiro — disse Queiroga, pedindo para "olhar para a frente":

— Vamos em frente, vamos deixar de olhar para o passado. Vamos construir ambiente de harmonia de de colaboração. Fazer com que a população possa aderir às recomendações das autoridades sanitárias.

Ele é o quarto ministro da Saúde durante a pandemia. Em sua primeira entrevista coletiva, hoje, Queiroga anunciou mudanças na equipe e meta de acelerar a vacinação para chegar a um milhão de pessoas imunizadas por dia em um "curto prazo" de tempo.