Ministro da Saúde nega aumento de verba para Hospital São Paulo

LEANDRO MACHADO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PR), afirmou nesta segunda-feira (24) que não vai repassar novas verbas para o Hospital São Paulo. A instituição, que fica na zona sul paulistana, passa por uma grave crise financeira e ameaça fechar as portas caso o governo Michel Temer (PMDB) não aumente os recursos à unidade.

Desde o início do mês o pronto-socorro do hospital universitário passou a atender apenas casos de urgência e emergência. A instituição é gerida pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e por uma organização social.

Segundo Barros, a unidade já recebe verbas suficientes para manter os atendimentos.

"O Hospital São Paulo tem o Cebas [certificados de entidade beneficente de assistência social], a tabela SUS, tem metade de sua força de trabalho paga pelo governo federal e tem mais o Rehuf de R$ 40 milhões, que é dado aos hospitais universitários. Então, não tenho como ajudar mais quem já tem muito mais que os outros", disse Barros.

A unidade, que faz 90% dos atendimentos de forma gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde), pede incremento de R$ 18 milhões ao ano da verba que é repassada pelo Ministério da Saúde.

"Se eles têm dificuldade, imagine os outros", disse o ministro durante evento na região central de São Paulo.

"Não aceito isso de 'vou fechar, vou parar'. Eles precisam fazer a lição de casa e cumprir sua obrigação, que é enxugar a máquina e colocar a saúde na porta da população. Pedi para o hospital diminuir os seus custos, colocar os seus recursos para trabalhar pela sociedade e não para serem consumidos pela estrutura administrativa que tem lá", disse Barros.

Segundo a Unifesp, em 2016, o Hospital São Paulo atendeu 59% mais pessoas em seu pronto-socorro do que atendia seis anos antes -passou de 236 mil em 2010 para 376 mil no ano passado. A universidade diz que os repasses do SUS, no entanto, não acompanharam o aumento dos atendimentos.

De acordo com o hospital, mais de 14 mil pessoas ficaram sem atendimento neste mês, por causa do fechamento do pronto-socorro. As cirurgias caíram de 1.343 em março para 598 em abril.

Por ano, a unidade recebe R$ 171 milhões por meio de um convênio com o SUS, montante que representa 31% do total das receitas. Outra parte da verba chega por meio do governo federal e do Rehuf (programa de reestruturação dos hospitais universitários).

No ano passado, o hospital teve um deficit de R$ 34 milhões.

Para conseguir se manter, o hospital tem feito empréstimos em bancos e adiado o pagamento de fornecedores -a dívida já chega a R$ 160 milhões.

O hospital universitário tem 95 especialidades médicas de alta e média complexidade -os ambulatórios correm risco de fechar caso a verba não chegue.

Mais de 1.160 alunos da graduação da universidade e 2.632 pós-graduandos atuam na unidade, por meio de pesquisas médicas e de aprendizado.