Ministro de Direitos Humanos relata 'preocupação' com revisão de câmeras de policiais em SP defendida por secretário

O ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, publicou na noite desta quinta-feira uma nota pública declarando preocupação com as declarações dadas pelo secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, que defende a revisão do programa que instalou câmeras nas fardas de policiais do estado.

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"O sucesso dessa política, demonstrado pela ciência, faz com que ela não apenas tenha que ser reforçada e ampliada nas regiões em que é aplicada, mas também que seja estendida a todo o Brasil. Tratando-se de prática exitosa, esperamos que eventual revisão tenha como objetivo precípuo o respeito e a proteção da vida, tanto dos trabalhadores da segurança pública quanto da população em geral", declarou Almeida.

No ano passado, um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que as câmeras nos uniformes de policiais evitaram 104 mortes. Esse número equivale a uma redução de 57%, em relação ao período anterior em que a medida entrou em vigor.

A declaração de Derrite foi dada a uma rádio do interior de São Paulo. Nela, o secretário afirma que vai propor ao governador alterações:

— Nós vamos rever o programa. O que existe de bom vai permanecer. Aquilo que não está sendo bom e que pode ser comprovado cientificamente que não é bom, por isso a importância de analisar esse estudo da Fundação Getúlio Vargas, a gente vai propor ao governador possíveis alterações disse Derrite, à rádio Cruzeiro, na última quarta-feira.

Instado a comentar o assunto em coletiva à imprensa nesta tarde, Tarcísio disse que inicialmente não fará mudanças no programa das câmeras. Ao longo do tempo, no entanto, não descarta reavaliar a política no futuro.

— Nesse primeiro momento, nada muda. Vamos tocar o projeto da câmera, já que o programa tem trazido percepção de segurança para segmentos da sociedade que são mais vulneráveis (...) Ao longo do tempo, vamos observar e reavaliar a política como qualquer outra política — afirmou o governador.

Procuradores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) reagiram nesta quinta-feira à proposta do novo secretário. No manifesto, enviado ao órgão especial do MP, os procuradores alertam que tanto a supressão das câmeras como a eventual redução do programa poderá ser interpretada como "licença para matar".