Ministro do Meio Ambiente quer liberação de madeiras ilegais apreendidas pela PF

Redação Notícias
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In this Nov. 22, 2019 photo, cut logs lie in an area opened by illegal loggers inside the Renascer Reserve in the Amazon rainforest in Prainha, Para state, Brazil. This area is known to have trees with high economic value such as ipe, jatoba and massaranduba. One of the biggest seizures of illegal timber in the Brazilian Amazon forest happened in this reserve in 2010. Those who live in the area complain that illegal logging is still happening. (AP Photo/Leo Correa)
Desmatamento ilegal na Floresta Amazônica (AP Photo/Leo Correa)
  • Polícia Federal realizou a maior apreensão de madeira ilegal da história do país

  • Ministro do Meio Ambiente quer a liberação do produto, que, segundo ele, é legal

  • Ricardo Salles alega que ouviu informação dos empresários

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve no Pará com o objetivo de liberar madeira produto de desmatamento ilegal.

A Polícia Federal realizou a maior apreensão de madeira da história do país em dezembro de 2020. São mais de 200 mil metros cúbicos, cerca de 65 mil árvores derrubadas.

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No entanto, o ministro afirma que as madeiras são legais e quer a liberação do produto. Salles teria ouvido a informação dos empresários.

“E a preocupação que nós temos também diz respeito à velocidade com que essa resposta tem que ser dada. Algumas madeiras já estão apodrecendo, com brocas, com fungos. O que nós vimos aqui na semana passada em relação às árvores foi que todas estão etiquetadas. Os proprietários que aqui vieram informaram que são áreas que têm escrituras, cujos planos de manejo foram apresentados na Secretaria estadual do Pará de Meio Ambiente, que obtiveram as licenças. Essas foram as afirmações dos proprietários”, disse Salles.

O superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, deu uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, na segunda-feira (5), e criticou a atitude do ministro de defender os madeireiros.

Saraiva disse que na PF não vai passar boiada, em referência à frase dita por Salles em uma reunião ministerial em abril do ano passado, ao falar da mudança de normas ambientais aproveitando-se do foco da sociedade na pandemia de Covid-19.

"Precisa haver um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas", disse Salles, em vídeo divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles
Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (AP Photo/Eraldo Peres)

Na semana passada, Salles viajou ao Pará para fazer uma espécie de verificação da investigação e disse que viu erros na ação da polícia. O delegado, por outro lado, afirma que as madeireiras não entregaram os documentos requisitados e que todo o material apreendido é produto de crime.

A investigação começou em dezembro, quando a Polícia Federal aprendeu uma balsa, em Parintins, no Amazonas, com três mil metros cúbicos de madeira. Parte da carga não estava declarada na guia florestal - documento obrigatório que comprova a origem legal das toras.

Em seguida, a Polícia Federal fez sobrevoos e usou imagens de satélites e encontrou mais dezenas de milhares de toras em áreas desmatadas do Pará e apreendeu tudo.

Alguns madeireiros apresentaram autorizações de exploração florestal emitidas pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará, mas não apareceu nenhum suposto dono de boa parte da carga.