Ministro do Meio Ambiente vira alvo de inquérito por enriquecimento ilícito

Foto: REUTERS/Adriano Machado

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ricardo Salles é investigado por registrar crescimento patrimonial de 355% em cinco anos

  • Autor do pedido de investigação trava batalha judicial com o ministro há quase quatro anos

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, virou alvo de um inquérito do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeitas de enriquecimento ilícito.

Segundo dados que constam das próprias declarações de bens do ministro, seu patrimônio alta de 335% em cinco anos, corrigindo o valor pela inflação.

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O MP-SP começou a investigar o ministro em julho após uma representação feita por uma empresa chamada Sppatrim Administração e Participações.

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De acordo com as declarações que o próprio Salles entregou à Justiça Eleitoral, em 2012, quando se candidatou a vereador de São Paulo pelo PSDB, seu patrimônio era avaliado em R$ 1,4 milhão, por aplicações financeiras, 10% de um apartamento, um carro e uma moto.

Cinco anos depois, quando se candidatou ao cargo de deputado federal pelo partido Novo, em 2018, sua prestação de contas relatava R$ 8,8 milhões, formados por dois apartamentos de R$ 3 milhões cada, R$ 2,3 milhões em aplicações e um barco de R$ 500 mil.

Durante boa parte desse período, Salles alternou entre cargos no governo do estado de São Paulo, sob a administração de Geraldo Alckmin (PSDB), e atuando como advogado.

Salles foi secretário particular de Alckmin entre março de 2013 e novembro de 2014, com salário de R$ 12,4 mil mensais. Depois, foi secretário do Meio Ambiente entre entre julho de 2016 e agosto de 2017, ganhando R$ 18,4 mil por mês.

Em 2014, Salles pediu na Justiça para que o valor de pensão alimentícia paga a seus filhos fosse reduzido - e conseguiu. Segundo o promotor público Ricardo Manuel Castro, Salles atuou em dez casos como advogado no período.

Mas, de acordo com o promotor, "não foram encontrados" nos autos "valores de causa suficientes a ponto de justificar o recebimento de honorários em volume tal que pudesse amparar tal aumento patrimonial".

Além disso, Castro destaca que a evolução patrimonial de Salles ocorreu no mesmo período em que o ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo foi acusado de fraudar o plano de manejo de uma área de proteção ambiental. Salles foi condenado por improbidade administrativa em dezembro de 2018, mas recorre da decisão.

O MP-SP solicitou à Justiça quebra de sigilo bancário do ministro e um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a respeito de sua movimentação bancária, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Em nota enviada à imprensa, a assessoria do ministro disse que “o patrimônio e os rendimentos do ministro foram sempre declarados adequadamente à Receita Federal" e que "a própria representação não traz nada diferente do que nelas constam”.

No passado, Salles já havia se defendido da acusação de enriquecimento ilícito se dizendo caluniado pelo empresário Luiz Eduardo Bottura, dono da autora da denúncia ao MP, a empresa Sppatrim.

Bottura e Salles travam uma batalha judicial há quase quatro anos. O empresário disputa R$ 200 milhões com a construtora Bueno Netto, da qual o ministro foi advogado.