Ministro do STF contraria apelo de Bolsonaro por voto impresso no Brasil: "Vamos criar o caos"

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Brazilian Superior Electoral Court's Judge Luis Roberto Barroso, attends the court trial on the eligibility of imprisoned former president Luiz Inacio Lula da Silva ahead of October 7 election, in Brasilia on August 31, 2018. - The left-wing icon is leading polls but has been incarcerated since April for accepting a bribe, and could be barred from standing for a potential third term in office under Brazil's clean slate law. (Photo by EVARISTO SA / AFP)        (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Luís Roberto Barroso é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, se colocou contra a volta do voto imprenso no Brasil

  • Arthur Lira criou comissão na Câmara para debater o voto imprenso

  • Barroso teme que voto imprenso crie judicialização das eleições

Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, se posicionou contra a ideia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de aliados de retomar do voto impresso no Brasil. À GloboNews, o ministro do Supremo Tribunal Federal afirmou que isso levaria ao caos no sistema eleitoral.

A volta do voto impresso entrou em discussão no Congresso Nacional após muito tempo de insistência de bolsonaristas. O tema foi posto em pauta pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que criou uma comissão especial para discutir uma PEC, Proposta de Emenda à Constituição. O texto tornaria o voto impresso obrigatório.

A PEC é da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF). Caso o texto seja aprovado, o voto no Brasil seria em cédulas de papel.

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Sobre o assunto, Barroso afirma que, se o Brasil retomar o método, “nós vamos criar o caos no sistema que funciona muitíssimo bem”. À GloboNews, o presidente do TSE afirmou ainda que o sistema de voto na urna eletrônica é totalmente confiável.

“O nosso sistema de voto em urna eletrônica é totalmente confiável. No entanto, eu queria dizer que, numa democracia, nenhum tema é tabu. E, portanto, tudo pode ser discutido à luz do dia. Portanto, o lugar próprio para discutir isso é o Congresso Nacional. Mas nós temos elementos mais do que suficientes para demonstrar a absoluta confiabilidade do sistema”, declarou o ministro.

Para Barroso, deixar de usar a urna eletrônica seria “mexer num time que está ganhando”. “Tem tanta coisa funcionando mal no Brasil e as pessoas estão, algumas pessoas, pensando em modificar o que vem funcionando bem. E só para lembrar, nesse sistema foi eleito o presidente Fernando Henrique para o segundo mandato, foi eleito o presidente Lula duas vezes, a presidente Dilma por duas vezes e o presidente Jair Bolsonaro. Alguém acha que as urnas não expressaram, efetivamente, a vontade popular?”, questionou.

Na entrevista à GloboNews, o presidente do TSE ainda expressou preocupação de que, com o voto impresso, haja um processo de judicialização das eleições.

“O Brasil tem 5.600 municípios. O voto impresso vai permitir que cada candidato que queira questionar o resultado peça a conferência dos votos. Vai contratar os melhores advogados eleitorais do país para buscar uma nulidade, alguma inconsistência e vai questionar oficialmente o resultado das eleições. E aí nós vamos ter mais um nível de judicialização no país, que vai ser o resultado das eleições, vai ser produto de uma decisão judicial. Ninguém precisa disso.”