Ministro francês acusado de violação por duas mulheres

Acabado de nomear, o novo ministro Francês da Solidariedade, Autonomia e Pessoas com Deficiência, enfrenta duas acusações de violação.

Segundo a imprensa francesa, duas mulheres acusam Damien Abad, de 42 anos, de as ter violado; uma em 2010, outra em 2011.

O ministro nega veementemente os factos de que é acusado, invocando a sua própria condição de deficiência física.

Numa declaração enviada à AFP, o ministro diz que todas as relações sexuais que teve foram consentidas e que "o ato sexual" consigo "só pode ocorrer com a assistência e bondade do meu parceiro",

Apanhada na tormenta, a primeira-ministra, Elizabeth Borne, que participava num ato de campanha para as legislativas este domingo disse que não sabia, afirmando que "não pode haver impunidade para as questões de assédio e assédio sexual", prometendo consequências se houver novos elementos.

O site Mediapart diz que Damien Abad foi nomeado ministro apesar de ter sido enviado ao seu grupo parlamentar o relatório do Observatório das Violências Sexistas e Sexuais em Política, onde estão as acusações das alegadas violações do agora ministro.

O Ministério Público de Paris confirmou à AFP que "recebeu um relatório a 20 de Maio do Observatório da Violência Sexista e Sexual", criado em fevereiro por feministas por detrás do movimento #MeTooPolitics. Este relatório está atualmente "a ser analisado", disse o procurador.

Segundo os testemunhos recolhidos pela Mediapart, uma das duas mulheres que o acusa, com 41 anos de idade, denuncia factos que teriam tido lugar durante uma noite no Outono de 2010.

Damien Abad ofereceu-lhe alegadamente uma taça de champanhe num bar, em Paris. "E aí, apagão total, até à manhã seguinte", disse a mulher, que contou ter acordado com ele "num quarto de hotel perto do bar", "em roupa interior", em "estado de choque e repugnância profunda", de acordo com o seu relato. Ela expressou o seu sentimento de que poderia ter sido "drogada".

A outra mulher, uma antiga ativista centrista, de 35 anos de idade, testemunha os acontecimentos que tiveram lugar no início de 2011.

Depois de conhecer Damien Abad em 2009, quando ela era vice-presidente dos Jovens Democratas em Paris, e depois de ser "flirtada por mensagem de texto", alegadamente conheceu-o uma noite em Paris e eles tiveram uma relação sexual que foi primeiro consensual e depois forçada, marcada por "desrespeito, injunção e insistência".

Segundo a Mediapart, ela foi a uma esquadra de polícia em 2012 para testemunhar, mas não respondeu à polícia. Depois apresentou uma queixa por "violação" em 2017 contra ele, e a investigação foi encerrada sem qualquer acção.

O Ministério Público parisiense confirmou à AFP "que uma primeira queixa apresentada por violação foi encerrada sem ação a 6 de Abril de 2012, devido à falta de resposta do queixoso". E que "uma segunda queixa apresentada pelo mesmo queixoso pelos mesmos factos foi encerrada sem seguimento em 5 de Dezembro de 2017, após uma investigação preliminar, por falta de infração suficientemente caracterizada".

Damien Abad foi até agora líder parlamentar do partido conservador "Os Republicanos", que governa em aliança com o partido do presidente Emmanuel Macron.

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