Ministro do Interior do Chile renuncia após ser suspenso pela Câmara

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Imagem divulgada pela assessoria de imprensa do Ministério do Interior do Chile mostra o ministro Victor Perez durante coletiva de imprensa no palácio presidencial La Moneda, em Santiago, em 17 de outubro de 2020
Imagem divulgada pela assessoria de imprensa do Ministério do Interior do Chile mostra o ministro Victor Perez durante coletiva de imprensa no palácio presidencial La Moneda, em Santiago, em 17 de outubro de 2020

O ministro do Interior do Chile, Víctor Pérez, chefe de gabinete do presidente Sebastián Piñera e que ocupava o cargo há três meses, renunciou nesta terça-feira, após ser suspenso pela Câmara dos Deputados devido a questionamentos sobre a sua atuação durante protestos.

Pérez anunciou sua renúncia depois que a Câmara aprovou uma acusação constitucional apresentada por parlamentares opositores contra ele por negligência durante um protesto de caminhoneiros no sul do Chile - em que o ministro é acusado de ser benevolente em relação aos caminhoneiros - e por seu papel como superior hierárquico da polícia em atos de repressão contra manifestações sociais.

"Não apenas estou suspenso, estou renunciando ao cargo de ministro do Interior", declarou Pérez no Congresso após a sua suspensão. A acusação constitucional se refere a uma disposição reservada ao Congresso que permite determinar a responsabilidade de funcionários públicos do alto escalão em um fato determinado.

Após a suspensão, a acusação contra Pérez deveria ser submetida a outra votação no Senado, para determinar se ele seria destituído, mas ante a possibilidade de deixar o governo por vários dias sem um chefe de gabinete, o ministro optou por deixar o cargo antes de se defender no Senado. Ele pode pegar até cinco anos de proibição de assumir cargos públicos.

O presidente Piñera declarou em um comunicado que aceita a renúncia, mas afirmou estar convicto de que Pérez "cumpriu todos os seus deveres, respeitou a constituição e as leis e não incorreu em nenhuma acusação constitucional".

Pérez, 66 anos, é um conhecido político de direita e colaborador da ditadura de Pinochet (1973-1990) como prefeito da cidade de Los Ángeles, no sul do Chile. Após vários anos como senador, ele foi nomeado ministro do Interior em julho, substituindo Gonzalo Blumel.

O presidente nomeou interinamente para o cargo Juan Francisco Galli, que era subsecretário do Interior.

- Três ministros do Interior em um ano -

Pérez era o terceiro ministro do Interior em pouco mais de dois anos de governo Piñera. Em julho, ele substituiu o jovem político Gonzalo Blumel, que entrou para o gabinete após os protestos sociais que explodiram em outubro de 2019.

Blumel havia substituído Andrés Chadwick, primo de Piñera e que era considerado o político mais influente do governo. Mas ele foi destituído pelo presidente e interpelado em dezembro passado pelo Congresso, que o deixou inelegível para cargos públicos por cinco anos.

Após três décadas como deputado e senador no Congresso, Pérez foi nomeado ministro do Interior e sua indicação ao cargo foi uma aposta do partido ultraconservador União Democrática Independente (UDI), já que ele não fazia parte do círculo mais próximo do presidente.

A suspensão do cargo tornou Pérez o primeiro chefe de gabinete a passar por esta situação desde que o Chile retornou à democracia, em 1990.

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