Ministro paquistanês diz que ajuda é necessária após enchentes "avassaladoras"

Por Charlotte Greenfield

ISLAMBADE, Paquistão(Reuters) - O Paquistão precisa de ajuda financeira para lidar com as enchentes "avassaladoras", disse o ministro das Relações Exteriores do país neste domingo, acrescentando que espera que instituições financeiras, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), levem em consideração as consequências econômicas para a região.

Chuvas de monção excepcionalmente fortes têm causado inundações devastadoras no norte e no sul do país, afetando mais de 30 milhões de pessoas e matando mais de 1.000.

"Eu não tinha visto uma destruição dessa escala, acho muito difícil colocar em palavras... é avassalador", disse o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Bilawal Bhutto-Zardari, em entrevista à Reuters, acrescentando que muitas safras responsáveis por grande parte dos meios de subsistência da população foram destruídas.

"Obviamente, isso terá um efeito sobre a situação econômica em geral", disse ele.

O país sul-asiático já estava em uma crise econômica, enfrentando alta inflação, desvalorização da moeda e déficit em conta corrente.

O conselho do FMI decidirá nesta semana se liberará 1,2 bilhão de dólares como parte da sétima e oitava parcelas do programa de ajuda ao Paquistão, acordado em 2019.

Bhutto-Zardari disse que a expectativa é de que o conselho aprove a liberação, uma vez que já foi alcançado um acordo entre autoridades paquistanesas e do FMI, e afirmou esperar que nos próximos meses o FMI reconheça o impacto das enchentes.

"Mais à frente, espero que não apenas o FMI, mas a comunidade internacional e as agências internacionais realmente entendam o nível de devastação", disse ele.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Bhutto-Zardari, filho da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, disse que o impacto econômico ainda está sendo avaliado, mas que algumas estimativas apontam 4 bilhões de dólares. Dado o impacto na infraestrutura e nos meios de subsistência das pessoas, ele espera que o número total seja muito maior.

O banco central do Paquistão já havia sinalizado o volume recorde de chuvas de monções como uma ameaça à economia, devido ao seu impacto na agricultura.

O Paquistão fará nesta semana um apelo pedindo a contribuição dos Estados-membros da ONU nos esforços de assistência ao país, disse Bhutto-Zardari.

Ele ainda falou da necessidade de o Paquistão analisar como vai lidar com os impactos de longo prazo das mudanças climáticas.

"Na próxima fase, quando olharmos para a reabilitação e reconstrução, teremos conversas não apenas com o FMI, mas com o Banco Mundial, o Banco Asiático de Desenvolvimento", disse Bhutto-Zardari.

(Por Charlotte Greenfield, em Islamabade, e Syed Raza Hassan, em Carachi)