Ministro de Relações Exteriores chama de 'protecionismo' proposta da UE de banir produtos de áreas desmatadas

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RIO - Carlos França, ministro das Relações Exteriores do Brasil, classificou como “protecionismo comercial” e “miopia” a proposta da União Europeia (UE) de banir a entrada de produtos agrícolas no bloco vindos de áreas de desmatamento, fazendo críticas ainda mais específicas à França por subsídios internos. França concedeu entrevista ao jornal britânico Financial Times.

Neste mês, a UE apresentou uma proposta que pode determinar que países que vendem commodities para o bloco, como carne, soja e café, tenham de comprovar que elas não foram produzidas em áreas de desmatamento ou de degradação ambiental após 2020.

A regra, que ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento europeu, valerá para áreas desmatadas ilegalmente e também para aquelas alvo de desflorestamento legal.

O jornal destaca que, como o Brasil é grande fornecedor desses itens na mira da UE, a proposta reacendeu as tensões entre o bloco e o governo “de ultra direita” de Jair Bolsonaro, que enxergaria outra motivações por trás da decisão.

Em entrevista ao Financial Times, França declarou: “O que eu não posso aceitar é que o meio ambiente seja usado sob a forma de protecionismo comercial. É ruim para os fluxos de consumo e comércio”. Ele complementou, dizendo que acha que existe uma espécie de “miopia” da parte da União Europeia.

A reportagem pontua que a publicação da proposta da legislação aconteceu pouco antes da divulgação de dados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mostram que a destruição da Amazônia brasileira saltou para a maior alta em 15 anos, o que resultou em questionamentos sobre o compromisso do governo em proteger a floresta.

Nos 12 meses terminados em julho deste ano, uma área de mais de 13,2 mil quilômetros quadrados foi devastada, alta de 22% sobre o período anterior, de acordo com dados do Inpe.

França diz que os números “surpreendem”, no entanto, argumentou que não “são tão ruins como parecem” porque teria havido melhora de julho para cá. Os dados de agosto a outubro indicam queda de 28% em queimadas.

“Não existe desejo do Brasil de esconder o problema. Quando existe desmatamento ilegal, ele está geralmente conectado a outros crimes, como infrações trabalhistas, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Nós estamos tratando isso como assunto de polícia e estamos tendo resultados”, afirmou o ministro ao FT.

As autoridades brasileiras, pondera o jornal, costumam frisar que o país tem uma agricultura de alta produção e intensiva em tecnologia, com as exportações saindo de terras legais das regiões central e do Sul do país.

Sobre a França, o ministro diz que “Entendo que o governo francês tem razões internas para apoiar seus fazendeiros. Não está ambientalmente certo eles darem subsídios (agrícolas), porque terra e água são recursos escassos e ao operá-los de forma ineficiente não é sustentável”.

Ele argumenta que é melhor plantar no Brasil “onde a agricultura está constantemente avançando em tecnologia do que produzir na França”.

As tensões entre Brasil e União Europeia levaram a um impasse para a ratificação do acordo comercial Mercosul-União Europeia, cujas negociações se arrastaram por mais de 20 anos.

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