Harry e Meghan: o casamento entre a seriedade britânica e o show americano

Manuel Sánchez Gómez.

Londres, 18 abr (EFE).- Se você vai ao casamento do príncipe Harry e Meghan Markle, não faça como Ed Sheeran ou David Beckham. Não use a mão esquerda para cumprimentar a realeza, como fez o cantor em uma visita ao príncipe Charles, nem use um terno desenhado por um estilista americano, tal como o ex-jogador no casamento de William e Kate Middleton.

Estas são algumas das dicas que William Hanson, consultor de protocolo e etiqueta especializado na casa real britânica, deu em uma reunião com os meios de comunicação em Londres.

"Os britânicos têm um protocolo, uma fórmula que seguem estritamente. Meghan, por sua vez, tem seu próprio estilo, por isso pode ser que o rompa de forma alguma", disse Hanson, que também colabora com o tabloide britânico "Daily Mail".

Hanson destacou, por exemplo, que as reverências à família real devem ser feitas abaixando-se levemente e flexionando ligeiramente o joelho esquerdo.

Também se pode inclinar a cabeça em sinal de respeito, o que seria mais adequado do que curvar o corpo inteiro.

Estas normas também são respeitadas dentro da família real e, por exemplo, Beatrice, duquesa de York, terá que fazer reverência a Meghan e Harry, enquanto o casal deverá fazê-la a William, duque de Cambridge, e a seu filho, George.

No entanto, apesar destas estritas normas, o casal se distanciou dos demais protocolos da tradição britânica com gestos como andar de mãos dadas em público, algo que definem como uma "preferência pessoal".

"Não há uma regra específica sobre isso, Harry e Markle dão as mãos em público, mas William e Kate não o fazem. Depende do casal", acrescentou.

Uma das maiores dúvidas em torno do casamento é o título que Harry e sua noiva receberão da rainha Elizabeth II.

O mais provável é que a monarca permita que os noivos escolham entre várias opções para depois dar a palavra final.

"Pessoalmente, acho que serão nomeados duques", disse o consultor antes de explicar que, assim que nascer o terceiro filho de William e Kate, Harry passará a ser o sexto na linha de sucessão do trono.

A respeito de Meghan, Hanson acredita que seu divórcio no passado só poderia ser um problema sério se no lugar de Harry o noivo fosse William.

"Os tempos mudaram e estão mudando. Meghan não estará muito preocupada, é forte e tem personalidade, irão aceitá-la", comentou.

Quanto aos detalhes do casamento, o banquete será organizado em torno de mesas redondas e não de uma grande mesa retangular, como a família real britânica costumava fazer em algumas ocasiões anteriores.

Além disso, será realizado um jantar de ensaio um dia de antes, no qual Hanson afirmou que não haverá espaço para "muitos costumes americanos".

Os convidados ao casamento, que são mais de dois mil, receberão um guia de protocolo com a vestimenta adequada para a ocasião.

Neste guia recomenda-se não usar roupas de estilistas americanos, como foi o caso de David Beckham no casamento de William, em 2011, quando vestiu um terno de Ralph Lauren, mal decorado com uma medalha na lapela direita, ao invés de na esquerda.

Entre as recomendações, Hanson destaca que as tiaras só podem ser usadas por mulheres casadas, que as luvas serão permitidas se combinarem com mangas curtas e que os sapatos masculinos deverão estar amarrados e ser de couro.

"No caso dos jornalistas e fotógrafos, basta vestir um terno e estará tudo bem", relatou entre gargalhadas o especialista em etiqueta mais famoso do Reino Unido.

O filho mais novo do príncipe Charles e da falecida princesa Diana, de 33 anos, se casará na Capela de São Jorge do castelo de Windsor, nos arredores de Londres, no próximo dia 19 de maio. EFE