Ministro do TSE determina remoção de vídeo que insinua que Lula comemorou surgimento do coronavírus

O ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a campanha de Jair Bolsonaro (PL) deixe de “promover novas manifestações” na televisão e nas redes sociais sobre uma entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em que o candidato falava sobre o impacto do coronavírus.

Na entrevista concedida em maio de 2020, Lula afirmou que “ainda bem” que a natureza criou o “monstro” chamado coronavírus para mostrar que só o estado pode solucionar determinadas crises. O contexto era de argumentação contra as teses do liberalismo econômico, doutrina seguida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O ex-presidente chegou a pedir desculpas pela afirmação.

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Além disso, a mesma propaganda veiculada no último domingo na televisão também dizia que o PT votou contra a ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600.

Na avaliação do ministro, a propaganda divulga informações descontextualizadas e fatos “sabidamente inverídicos".

“A propaganda veiculada pela Coligação Pelo Bem do Brasil e pelo Candidato Jair Messias Bolsonaro, em 16/10/2022, se descola da realidade, por meio de inverdades, fazendo uso de falas gravemente descontextualizadas do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, com o intuito de induzir o eleitorado à crença de que o candidato despreza a vida humana, assim como que o Partido dos Trabalhadores teria votado contra um programa de transferência de renda em momento delicado”, disse Moraes na decisão.

Sobre a votação do PT no aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, O GLOBO mostrou que partidos da oposição, como PSOL e PSB, propuseram tornar o pagamento de R$ 600 permanente e o PT defendeu a proposta.

No debate da noite de domingo entre os dois candidatos, o caso chegou a ser citado pelo presidente Jair Bolsonaro. Lula, por outro lado, apontou que Bolsonaro imitou pacientes com falta de ar.

Em entrevista ao Jornal Nacional antes do primeiro turno, Bolsonaro chegou a negar que tenha imitado e depois disse que estava “denunciando” uma posição do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recomendava ir ao hospital após sentir falta de ar no início da pandemia.