Ministro do TSE explica votação eletrônica a autoridade eleitoral francesa

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Urnas eletrônicas são preparadas para as eleições de 2018 em Curitiba

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Tribunal Superior Eleitoral Sérgio Banhos reuniu-se nesta sexta-feira com o chefe do escritório de eleições e estudos políticos do Ministério do Interior da França, Sebastien Audebert, instituição responsável pela organização do processo eleitoral no país europeu.

Na conversa, o ministro do TSE explicou o modelo brasileiro de votação por meio de urnas eletrônicas enquanto Audebert afirmou que o sistema eletrônico, ainda pouco utilizado na França --em cerca de 60 municípios da França é utilizada alguma forma de votação eletrônica, o equivalente 3% das urnas--, será rediscutido no segundo semestre e pode ser ampliado no país.

"O desenvolvimento do nosso sistema é colaborativo e conta com vários atores", disse Banhos, citando mecanismos de auditoria do processo, que conta com a participação de partidos políticos e da Polícia Federal na verificação dos códigos-fonte, além da possibilidade de conferência dos resultados das eleições pelo Boletim de Urna por qualquer cidadão.

"Temos um projeto extremamente sofisticado, desde o cadastramento do eleitor até a entrega dos resultados, além de toda a parte jurisdicional e consultiva atribuídas ao TSE", acrescentou o ministro do TSE, lembrando que a logística para a realização das eleições envolve, inclusive as Forças Armadas.

Na última semana Bolsonaro afirmou que o primeiro turno das as eleições na França, realizado em cédulas de papel no domingo, foi um exemplo para o Brasil.

Ferrenho defensor do voto impresso, o presidente volta e meia investe na estratégia de colocar em dúvida a inviolabilidade das urnas eletrônicas.

"Tivemos há poucos dias eleições na França... Parabéns à França", disse o presidente na tradicional live transmitida nas redes sociais na semana passada.

"O pessoal votando no papel. A França, um país muito mais desenvolvido que nós, e votando no papel. Que exemplo para os brasileiros", opinou.

No encontro desta sexta-feira com o ministro do TSE, o chefe do escritório de eleições e estudos políticos do Ministério do Interior da França disse que as cédulas de papel "ainda ocupam espaço importante nas nossas eleições, mas o sistema de votação eletrônico pode evoluir no futuro".

Ao comentar que apenas 3% das votações ocorrem por algum meio eletrônico, o francês afirmou que "esse assunto será rediscutido após as eleições legislativas que acontecerão em junho de 2022".

A autoridade eleitoral da França, que passará por um segundo turno das eleições presidenciais no próximo domingo, explicou que o país conta com aproximadamente 70 mil locais de votação e que a proclamação oficial dos resultados ocorre cerca de três dias após as eleições.

Banhos aproveitou a conversa para convidar a instituição francesa a iniciar processo de cooperação bilateral e também para que delegação do país acompanhe as eleições gerais no Brasil em outubro.

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