Ministro volta a criticar governos anteriores e admite que índices de analfabetismo são ‘assombrosos'

Adriana Mendes
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BRASÍLIA – O ministro da Educação, Milton Ribeiro, voltou a criticar nesta quarta-feira governos anteriores pelo atual quadro da educação brasileira. No entanto, reconheceu que ainda é “assombroso” o índice de alfabetização no país e não há muito o que ser comemorado.

As declarações foram dadas no lançamento do Relatório Nacional da Alfabetização Baseada em Evidências (Renabe) , que consolida experiências de alfabetização. O relatório tem como objetivo apresentar pesquisas na área acadêmica para orientação de políticas públicas da área.

De acordo com o último dado divulgado pelo IBGE no ano passado, o Brasil ainda tem 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais — o número corresponde a 6,8% dessa população.

Ao sair em defesa do secretário de alfabetização, Carlos Nadalim, um dos fortes nomes da ala olavista no MEC, Ribeiro disse que o secretário “insiste em meio às criticas” a um caminho diferente.

— Os caminhos escolhidos anteriormente deram resultados pífios que envergonham o Brasil tanto internamente quanto na comunidade exterior– afirmou Ribeiro.

O ministro destacou que é “preciso primeiro aprender a ler, para depois ler para aprender”, caso contrário fica impossível para o jovem progredir na vida acadêmica.

— Quando considerado o assombroso índice de analfabetismo funcional, é perceptível que não há muito a ser comemorado. As crianças estão indo para a escola, mas o aprendizado efetivo tem sido bastante questionável — disse o ministro, ao ler um trecho da introdução do relatório.

Ribeiro ressaltou também que os resultados das avaliações educacionais internas e externas , como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), mostram que o problema da alfabetização é complexo e exige enfrentamento em múltiplas frentes. Por outro lado, sem citar nomes, culpou governos anteriores.

No lançamento do relatório, Carlos Nadalim destacou outras ações do governo para reduzir o analfabetismo, como a realização de cursos on-line para formação de professores e o aplicativo finlandês “GraphoGame”, que, segundo ele, tem alcançado resultados significativos. Ainda de acordo com o secretário, o relatório apresentado hoje não restringe a compreensão da leitura apenas dos especialistas.

— O público geral, professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, profissionais da educação, entre outros, encontrarão conteúdos complexos em linguagem clara e acessível — disse Nadalim.

Relatório

O documento foi produzido por 12 pesquisadores e é resultado de uma conferência que contou com a participação de integrantes de várias áreas do conhecimento dedicados à alfabetização. Segundo o MEC, outros países como França, Estados Unidos, Austrália e Inglaterra produziram relatórios semelhantes e tiveram avanços significativos em avaliações externas internacionais.

“Uma alfabetização baseada em evidências é aquela que emprega procedimentos e recursos cujos efeitos foram testados e se mostraram eficazes", explica.

A ideia é mostrar como é possível transpor o que é evidência científica para a prática, como levar a ciência para a sala de aula. O relatório já está disponível no site do MEC.