UE aprova plano de coordenação migratória após tensões entre França e Itália

Os ministros do Interior da União Europeia (UE) aprovaram nesta sexta-feira (25) um plano de coordenação da gestão de chegadas de migrantes, após uma disputa tensa entre Itália e França relacionada à recepção de um navio humanitário.

A França convocou a reunião extraordinária em Bruxelas depois de receber "excepcionalmente" 234 migrantes resgatados no Mediterrâneo pelo navio humanitário "Ocean Viking", que a Itália não permitiu que ancorasse em seus portos.

Todas as partes consideraram a reunião produtiva, mas o ministro do Interior tcheco, Vit Rakusan, cujo país detém a presidência bianual da UE, disse que está claro que "mais pode e deve ser feito" para encontrar uma solução duradoura para este problema que gera tensões entre os países europeus.

Os ministros voltarão a se reunir no dia 8 de dezembro para continuar o "difícil debate", acrescentou.

"Não podemos continuar trabalhando evento após evento, navio após navio, incidente após incidente, rota após rota", afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, ao lembrar que as crises anteriores foram aproveitadas por "forças populistas e eurocéticas".

As capitais europeias não escondem a preocupação com a nova onda de migração, seja por via marítima, a partir do Norte de África, seja por via terrestre, pelos Bálcãs.

Nos primeiros dez meses do ano, cerca de 280 mil pessoas entraram ilegalmente no território da UE, um aumento de 77% em comparação com o mesmo período de 2021.

As travessias marítimas da costa norte-africana costumam ser perigosas.

O alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou que "com quase 2.000 pessoas já mortas ou desaparecidas até agora este ano, uma ação urgente é necessária".

- Ações concretas -

A UE passou anos negociando uma política para dividir a responsabilidade pelos migrantes e solicitantes de asilo, mas a eclosão de uma crise entre Itália e França fez a questão voltar a ser prioridade.

A decisão de não receber o navio "Ocean Viking" foi tomada pelo novo governo italiano de Giorgia Meloni, de extrema direita.

A França classificou a decisão como "inaceitável" e contrária aos regulamentos da UE.

Paris acabou permitindo que o "Ocean Viking" atracasse em um porto francês, mas suspendeu um acordo anterior para receber 3.500 requerentes de asilo retidos em solo italiano.

O plano aprovado esta sexta-feira apresenta uma série de vinte medidas para melhorar a coordenação e evitar novas crises deste tipo.

O ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, minimizou o incidente do "Ocean Viking", dizendo que a reunião "não discutiu casos individuais ou gerenciamento operacional".

Pinatedosi garantiu que se chegou a uma "convergência de posições" que permite aos ministros retomar o debate no dia 8 de dezembro.

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