Ministros dizem que Bolsonaro se enganou ao prometer reunião de Conselho de República

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BRASÍLIA - Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que o presidente Jair Bolsonaro se “equivocou” ao dizer, durante manifestação do 7 de setembro em Brasília, que amanhã participará de uma uma reunião do Conselho da República. Em caráter reservado, ministros disseram que, na verdade, eles foram convocados para um compromisso do Conselho de Governo, que reúne todo o primeiro escalão e o vice-presidente Hamilton Mourão regularmente.

A Presidência encaminhou o alerta para os ministérios incluírem a previsão da reunião para 9h30 desta quarta-feira no Palácio do Planalto. Na tarde desta terça-feira, muitas pastas ainda aguardavam a confirmação da agenda.

Entretanto, na semana passada, o Secretaria Especial de Comunicação (Secom) divulgou a previsão de visita de Bolsonaro ao Ceagesp, em Guarulhos, para esta quarta-feira, às 10h. Questionada, a Secom não confirmou nem a viagem, nem o Conselho de Governo.

Ao discursar a apoiadores na Esplanada dos Ministérios nesta terça-feira de manhã , Bolsonaro disse que participará amanhã de uma reunião do Conselho da República. Cabe ao colegiado, entre outras atribuições, discutir sobre a “estabilidade das instituições democráticas de direito”.

— Vou a São Paulo e retorno, amanhã estarei no Conselho da República, juntamente com ministros, juntamente com o presidente da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, com essa fotografia de vocês mostrar para onde nós todos devemos ir — disse Bolsonaro.

Embora ele tenha dito que o mandatário do STF estará presente, o Judiciário não integra o colegiado. De acordo com a Constituição, participam do conselho o presidente da República, o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, além dos líderes da maioria e da minoria das duas casas legislativas. Também está prevista a presença do ministro da Justiça e de seis cidadãos com mais de 35 anos, sendo que Presidência, Câmara e Senado indicam duas pessoas cada um.

Entre os membros do Conselho estão o senador Renan Calheiros (MDB-AL, líder da maioria), relator da CPI da Covid, opositor do presidente, e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ, líder da minoria), que já anunciou que não vai participar da reunião.

Criado em 1988, o Conselho da República só se reuniu uma vez, 30 anos depois. Isso ocorreu durante o governo de Michel Temer para discutir a intervenção federal no Rio, ocorrida em 2018. Na ocasião, foi nomeado interventor o atual ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

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