Apenas 10% dos voos de ministros de Bolsonaro são para o Nordeste

Dos ministros de Bolsonaro, o que mais passou pelo Nordeste foi Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Ernesto Araújo (Relações Internacionais, no fundo, à direita), foi à região apenas em escalas para outros destinos(Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

O Yahoo Brasil fez um levantamento nos dados da Força Aérea Brasileira (FAB) para verificar quantas vezes os ministros do presidente Jair Bolsonaro (PSL) usaram aeronaves oficiais para visitar a região Nordeste do país a trabalho.

SIGA O YAHOO NOTÍCIAS NO INSTAGRAM

Foram registradas 54 idas a cidades nordestinas desde 1º de janeiro até a última quinta-feira (18) - incluindo 15 escalas -, equivalente a pouco mais de 10% dos 526 voos dos ministros nas asas da FAB neste ano. Mais de 1/4 dessas viagens eram apenas escalas para outros destinos, segundo os registros da FAB.

Leia também

A reportagem considerou como escalas os voos para o Nordeste em que os ministros pousaram e permaneceram por, no máximo, 2h30 no local, partindo para outro destino em seguida.

Dos 14 ministros de Bolsonaro que passaram pelo Nordeste, o que mais visitou a região foi Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Comunicações), com 9 idas, das quais 3 foram escalas. A região é especialmente importante para a pasta de Pontes: a base militar de Alcântara, no Maranhão, deve ser explorada pelo governo para atividades comerciais, o que envolveu uma negociação de Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) com os Estados Unidos no início deste ano.

Em seguida aparece o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com 8 passagens. Mas todas eram mesmo apenas rápidas passagens: das 8 vezes que Araújo pôs os pés no Nordeste, todas eram escalas para outros lugares.

O titular da pasta de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, visitou o Nordeste 6 vezes e a ministra Tereza Cristina (Agricultura), 5. Os dois foram de fato à região, e não apenas como ponto de parada para outro lugar.

Também foram ao Nordeste os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Freitas (4 visitas); da Educação, Abraham Weintraub (3 visitas); do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (3 visitas); da Cidadania, Osmar Terra (3 visitas e 1 escala); do Meio Ambiente, Ricardo Salles (2 visitas e 2 escalas); e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (2 visitas).

Com pelo menos um registro na região pela FAB também estão Fernando Azevedo e Silva (Defesa), com uma visita e uma escala; e Bento Albuquerque (Minas e Energia), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), e o ex-ministro da Secretaria de Governo, Alberto dos Santos Cruz, com uma visita cada.

O Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Raul Botelho, não é ministro, mas tem direito a usar os aviões da FAB. Ele completa os 54 voos registrados, com uma ida ao Nordeste.

“Governadores de ‘paraíba’”

No final da semana passada, uma declaração do presidente causou polêmica pela conotação racista: em uma conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Bolsonaro afirmou que “daqueles governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara”. O áudio, cujo contexto não pode ser identificado, foi captado pela TV Brasil durante um café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto na última sexta-feira (19).

Flávio Dino (PCdoB), o governador do Maranhão, foi às redes sociais rebater a declaração. Em sua conta no Twitter, o governador maranhense destacou que "independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação". Dino, que é ex-juiz federal, prosseguiu o tuíte afirmando que, independentemente do estado, “‘'Não tem que ter nada para esse cara' é uma orientação administrativa gravemente ilegal".

Na sexta, os nove governadores da região divulgaram uma carta aberta, cobrando explicações de Bolsonaro, que tentou justificar a afirmação durante o fim de semana. Segundo ele, tratava-se de uma “crítica” a Dino e ao governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB). Para Bolsonaro, os dois “vivem me esculhambando”. “Obras federais que vão para lá, eles dizem que é deles. Não são deles, são do povo. A crítica foi a esses dois governadores, nada mais além disso”, afirmou a jornalistas no sábado (20), na porta do Palácio da Alvorada após cumprimentar apoiadores que o esperavam no local.